Arnaldinho muda o jogo e leva a disputa de 2026 para as mãos do povo

Arnaldinho muda o jogo e leva a disputa de 2026 para as mãos do povo

A decisão de Arnaldinho Borgo não foi impulso nem gesto teatral. Foi uma posição pensada, assumida em público e construída sem ataques pessoais. Ele escolheu marcar sua divergência de forma firme e civilizada, deixando claro que seu movimento nasce de convicção e não de ressentimento.

Quando cita Renato Casagrande e Paulo Hartung no mesmo patamar, Arnaldinho não faz julgamento moral.

Ele descreve um padrão político. Ambos lideraram governos de forte centralização, pouca abertura a sucessões naturais e resistência a novos projetos ganharem espaço. É uma leitura histórica e não uma provocação. Ciclos longos, quando deixam de dialogar com seu tempo, naturalmente chegam ao limite.

Dentro desse cenário, sua decisão não surge de maneira repentina. Ela aparece como consequência de um modelo que, na visão dele, se esgotou.

Ao tornar pública sua posição, Arnaldinho envia um recado direto: a eleição de 2026 não pertence a arranjos fechados, mas ao eleitor capixaba.

Sua postura, ao se colocar como pré-candidato, reforça essa compreensão. A diferença em relação a Ricardo Ferraço não está na esfera pessoal. Ambos têm trajetória relevante. O confronto é entre duas visões. Uma baseada na continuidade conduzida pelo grupo que comanda o Estado.

Outra fundamentada na ideia de que um projeto precisa nascer legitimado pela sociedade desde o primeiro passo.

Arnaldinho sabe que essa escolha cobra preço. Enfrentar estruturas consolidadas significa lidar com resistências, contrariar expectativas e desafiar quem já considera o jogo definido. Mesmo assim, ele deixa claro que prefere seguir o caminho mais difícil a aderir a um processo considerado fechado demais.

Ao afirmar que o povo decidirá 2026, ele resgata o princípio básico da política: soberania popular. Lideranças importam, mas nenhum processo sucessório se sustenta quando é desenhado apenas entre poucos. A história recente do Espírito Santo mostra que projetos excessivamente controlados acabam perdendo força, mesmo quando aparentam solidez.

O contraste com Ferraço surge justamente aí. Visão de futuro. De um lado, um projeto que busca continuidade a partir do centro do poder. Do outro, uma alternativa que quer nascer pelo debate, pela construção coletiva e pela disputa aberta.

A decisão de Arnaldinho não fecha portas. Ela redefine o caminho. E ao fazer isso sem ataques, ele preserva algo raro no atual ambiente política.