AdvertismentGoogle search engineGoogle search engine
sexta-feira, agosto 21, 2026
InícioMundoTurquia emite ordem de prisão contra Netanyahu, elevando as tensões com Israel

Turquia emite ordem de prisão contra Netanyahu, elevando as tensões com Israel

Com os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump se afastando cada vez mais da guerra no Irã, as nações do Oriente Médio procuram se reposicionar em um cenário regional que se torna cada vez mais volátil.

Na última sexta-feira (21), Turquia e Israel, dois aliados estratégicos dos EUA, intensificaram a crise diplomática existente. O governo turco anunciou um novo mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, enquanto autoridades israelenses prometeram responder com ações contra “as tentativas da Turquia de desestabilizar a região”.

Esse não é um incidente isolado; o governo da Turquia, sob a liderança autocrática de Recep Tayyip Erdogan, já havia solicitado a prisão de Netanyahu em novembro de 2025, junto a um total de 36 autoridades israelenses, acusando-os de genocídio na Faixa de Gaza.

O mandado atual diz respeito às ações das forças israelenas contra uma flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio naval imposto a Gaza. As acusações contra Netanyahu e seu governo incluem lesão corporal, tortura, destruição de propriedade, roubo e sequestro de veículos.

Israel enfrentou críticas contundentes de muitos países, incluindo o Brasil, pelo tratamento infligido aos ativistas da flotilha interceptada em maio. Relatos indicaram que esses indivíduos sofreram maus-tratos e tortura enquanto estavam sob custódia israelense.

À época, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, divulgou um vídeo mostrando os ativistas detidos em condições degradantes, classificando-os como “apoiadores do terrorismo”.

Gideon Saar, o chanceler de Israel, criticou Ben-Gvir por danificar a imagem internacional do país, enquanto Netanyahu expressou que a conduta do ministro não refletia os “valores e normas de Israel”. Apesar de todas as alegações, o governo israelense negou os maus-tratos e afirmou que suas ações estavam em conformidade com o direito internacional marítimo.

O ministro da Justiça turco, Akin Gürlek, afirmou que a Turquia não permitirá que o governo Netanyahu permaneça impune. “Manteremos nosso apoio ao povo palestino e tomaremos todas as medidas necessárias para que os responsáveis por crimes contra a humanidade sejam responsabilizados”, declarou Gürlek.

Em resposta, o governo Netanyahu chamou Erdogan de “ditador antissemita” e destacou a cobrança internacional sobre as restrições à liberdade de expressão na Turquia. O comunicado de Israel reiterou a intenção de agir decisivamente contra qualquer tentativa de desestabilização por parte da Turquia.

No X, a conta oficial do premiê israelense postou um vídeo justificando os ataques que intensificaram a crise durante a semana. Na terça-feira (18), Israel realizou bombardeios em uma base aérea na Síria, alegando que a Turquia estava se preparando para enviar tropas para o local.

Um porta-voz de Netanyahu declarou que a base atacada estava a menos de 290 quilômetros de Israel e poderia apresentar uma ameaça. “Não vamos permitir que a Turquia se instale na Síria e avance para o sul em direção a Israel”, afirmou, reconhecendo Erdogan como inimigo do Estado judeu.

As relações entre Turquia e Israel deterioraram-se após os ataques de 7 de outubro de 2023, perpetrados pelo grupo terrorista Hamas, que resultaram na morte de 1.200 israelenses. Erdogan mantém apoio diplomático ao Hamas, tendo recebido líderes do grupo em visita oficial em 2020, ação que gerou condenação de Israel e EUA.

No desenrolar da guerra em Gaza, que já vitimou pelo menos 73 mil palestinos em ataques israelenses, Erdogan tem sido um crítico constante das ações israelenses, caracterizando-as como genocídio, embora não tenha rompido formalmente as relações diplomáticas. Apenas cinco países no Oriente Médio, incluindo Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, reconhecem Israel, e um aprofundamento nas tensões prejudicaria severamente Tel Aviv.

A Turquia se destaca como um dos principais aliados dos EUA na região, sendo membro da Otan e operando com equipamentos militares dos EUA, além de abrigar armas nucleares do Pentágono. Apenas Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Reino Unido compartilham dessa importância estratégica à aliança.

Devido à proximidade da Turquia com o Hamas, este país, juntamente com o Egito e o Qatar —onde vivem os líderes do grupo—, ajudou nas negociações para um acordo de paz entre Israel e Hamas, que foi chancelado por Trump através da formação do Conselho da Paz.

Entretanto, o progresso nas negociações de trégua tem sido devagar, e na quinta-feira (20), Ancara, Doha e Cairo criticaram Israel por realizar ataques em Gaza mesmo com um acordo em vigor. “Os ataques reiterados de Israel comprometem os esforços internacionais em um momento crucial”, afirmaram as nações em um comunicado.

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDOS

Recent Comments