O inquérito sobre notícias falsas, aberto há sete anos e meio, teve um novo desenvolvimento com a inclusão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na lista de investigados por Alexandre de Moraes, seu colega na Corte. O despacho relativo a essa decisão foi divulgado na quinta-feira, dia 3.
Instaurado pelo ex-presidente do STF, Dias Toffoli, o inquérito começou sem a aprovação do Ministério Público, com o intuito de apurar ataques direcionados a ministros e suas famílias. Toffoli designou Moraes como relator do caso em março de 2019, destacando a gravidade das ameaças.
A recente decisão de Moraes foi uma reação a uma reportagem que trouxe à tona referências ao próprio Toffoli em um documento da Lava Jato que mencionava Marcelo Odebrecht. Com o tempo, esse inquérito evoluiu de uma investigação de colaboradores do ex-presidente Jair Bolsonaro para um instrumento usado por Moraes em disputas pessoais.
Mendonça é apenas um dos muitos acusados de crimes supostamente cometidos contra Moraes. Os investigados incluem também o Partido da Causa Operária (PCO), os youtubers Allan do Santos e Bernardo Kuster, além da ex-ativista Sara Winter, que enfrentarão acusações por suas opiniões e posturas públicas.
Em janeiro deste ano, Moraes iniciou uma investigação sigilosa para averiguar o vazamento de dados fiscais de juristas e de suas famílias, supostamente oriundos de servidores da Receita Federal e outras instituições de controle. Essa ação foi motivada após a revelação de um contrato entre o escritório de sua esposa e o Banco Master, além das ligações de Toffoli com esse banco.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi identificado no relatório investigativo, por ter mantido contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de fraudes bilionárias. Mensagens trocadas indicam que Gonet tinha uma relação pessoal com o banqueiro, que incluíam convites para eventos sociais.
Mendonça decidiu divulgar o relatório após o conteúdo ter sido exposto, enquanto ainda estava sob sigilo. Entre os detalhes destacados, foram mencionadas a participação de Moraes na elaboração de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e outros indícios que levantaram suspeitas sobre a condução das investigações.
Diante dessa situação, o presidente do STF, Edson Fachin, solicitou que Moraes, Mendonça, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República se pronunciem em um prazo de cinco dias. Mendonça, por sua vez, pediu ao plenário do STF que determine a melhor forma de abordar os fatos apresentados no relatório.



