Em um comício realizado na última sexta-feira, 18 de agosto, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que, caso dependa dele, as plataformas de apostas conhecidas como “bets” não operarão mais no Brasil. Lula, que se referiu a essas casas de apostas como “a coisa mais horrorosa” que já viu, comentou sobre o impacto negativo que elas têm sobre a vida das pessoas. Ele recordou sua conversa com uma jovem que havia tentado se suicidar em três ocasiões devido a problemas relacionados a apostas.
O presidente ressaltou que diversos clubes brasileiros conquistaram o Mundial de Clubes antes do surgimento das apostas no país, alegando que a afirmação de que a proibição das “bets” comprometeria o futebol é sem fundamento.
Na quinta-feira, 17 de agosto, associações de clubes de futebol do Rio de Janeiro e de São Paulo, bem como a principal entidade de emissoras de rádio e televisão, publicaram uma carta aberta apoiando a legalização das apostas, desde que sejam permitidas pela legislação, em especial pelo Ministério da Fazenda. A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) alertou que a paralisação das “bets” poderia resultar em uma perda de investimentos estimada em R$ 9 bilhões até 2029, quando expira a licença de operação dessas empresas.
Em abril, Lula já havia expressado preocupação com a dívida da população e sua intenção de encerrar as “bets” em território nacional. “Se essas apostas causam danos, por que não proibi-las? Estamos em discussão sobre isso”, acrescentou. Ele reiterou que a decisão final depende do Congresso Nacional.
A reação de Lula ocorre no contexto do anúncio do governo sobre um aumento de 15% no valor do Bolsa Família e a possibilidade de disponibilizar canetas para emagrecimento gratuitamente através do SUS. O presidente está intensificando suas ações voltadas para o público em um cenário onde Flávio Bolsonaro, do PL, avança nas pesquisas de opinião.
Desde a reformulação do programa social em março, Lula não havia promovido nenhum ajuste nos valores do Bolsa Família. Ministros de sua equipe e especialistas em políticas sociais argumentavam que não havia necessidade de reajustes, baseando-se em padrões internacionais de programas de transferência de renda. No entanto, a situação mudou com a ascensão nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, que, segundo pesquisa do Datafolha divulgada recentemente, está empatado com Lula dentro da margem de erro.
No ato realizado em Guarulhos, Lula esteve acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e das candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A pesquisa mostrou que Haddad deve enfrentar dificuldades contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem 49% das intenções de voto, contra 29% do petista.
A disputa pelo Senado apresenta um quadro sem favoritos claros, com Marina e Simone empatadas com os candidatos bolsonaristas André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Guarulhos, a segunda cidade mais populosa da região metropolitana de São Paulo, é governada por Lucas Sanches (PL), um aliado da família Bolsonaro. Em 2022, Lula foi derrotado por Jair Bolsonaro na cidade, recebendo 46% dos votos, enquanto o ex-presidente obteve 53%.



