A professora Madeleine Cova compartilhou a sua tristeza profunda, que persiste, mesmo após a recuperação de sua família e de seus filhos. Ela revela que, embora não tenha sofrido nenhuma perda direta, sente-se em luto pela morte de seus alunos. No dia 24 de junho, um duplo terremoto devastou o norte da Venezuela, levando a vida de muitos jovens que lhe eram queridos.
Ela descreve a relação íntima que tinha com seus alunos, aos quais dedicava atenção especial, participando de suas vidas e celebrando momentos importantes. As mães de crianças que faleceram frequentemente buscam seu apoio, compartilhando a dor da perda, o que aumenta o seu próprio sofrimento. A professora expressa culpa quando tenta se divertir, sentindo que não pode esquecer o significado que aquelas vidas tiveram para ela.
Nascida em La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos que deixaram mais de 6,5 mil vítimas, Madeleine trabalhava no colégio privado Alejandro Otero e também na escola pública Juan José Mendoza, onde continua atuando. Em julho, a professora prestou uma homenagem a seus alunos em um vídeo, reconhecendo a dor pela perda de 115 estudantes que morreram em decorrência da tragédia, com mais de 230 confirmados falecidos e diversas crianças desaparecidas.
O novo ano letivo começou em 14 de setembro, e a líder do governo venezuelano lembrou as crianças que faleceram no desastre. Ela destacou os danos que afetaram 11 escolas e o impacto sobre mais de 86 mil alunos. Madeleine, por sua vez, revela que a escola Juan José Mendoza foi a mais atingida, com um alto número de alunos perdidos e muitos se deslocando para outras regiões do país em busca de abrigo.
A rotina escolar foi duramente afetada, com a professora notando que apenas cinco das 22 seções do ensino médio conseguiram ser preenchidas após as perdas. O vazio que sente ao lembrar de seus alunos, que considera como filhos, é profundo. Aos 16 alunos que morreram sob sua tutela, a professora se sente ligada, carregando um enorme sentimento de culpa sobre o que poderia ter feito para evitar suas mortes.
Apesar da dor, Madeleine valoriza as memórias das alegrias que teve na escola, onde os alunos a recebiam calorosamente a cada manhã. Ela enfatiza a importância do vínculo entre professores e alunos, e como essa conexão pode ser vital para a aprendizagem e o bem-estar emocional dos estudantes.
Relembrando momentos especiais, ela menciona a intensidade dos laços criados. Quando seus alunos notavam sua tristeza, eram eles quem se preocupavam e a confortavam, o que ressaltava a amizade mútua que construíram. Desde jovem, Madeleine sempre soube que queria ser educadora, dedicando-se a criar um ambiente acolhedor onde cada aluno se sentisse valorizado.
Mulheres como Yssa Hernández e Laura Brito, que também são educadoras, relatam as dificuldades enfrentadas após a tragédia, com muitas crianças que perderam membros da família ou faleceram. Elas compartilham a necessidade de apoio emocional tanto para os alunos quanto para os profissionais, reafirmando a importância de reconstruir as vidas devastadas pelo desastre.
O objetivo é proporcionar um espaço seguro durante as aulas, onde a prioridade será o cuidado emocional e o suporte às crianças, antes de retomar o conteúdo acadêmico. As professoras se reúnem para encontrar formas de ajudar os alunos a superar suas dores, reafirmando que a educação vai além do aprendizado formal e que o amor e a conexão são essenciais nesse processo de reconstrução.



