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quinta-feira, setembro 24, 2026
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SUS passa a oferecer cirurgia para tratamento conjunto de catarata e glaucoma

O Sistema Único de Saúde (SUS) irá disponibilizar uma cirurgia que permite o tratamento simultâneo de catarata e glaucoma. Essa nova incorporação foi formalizada pelo Ministério da Saúde através de uma portaria publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17), e a efetivação do procedimento no sistema público deverá ocorrer em até 180 dias.

O procedimento será direcionado para pacientes que apresentem catarata e glaucoma primário de ângulo aberto em estágios inicial ou moderado, desde que a pressão intraocular esteja controlada com o uso de colírios. Ambas as condições comprometem a visão, porém de formas distintas. A catarata se caracteriza pela opacificação do cristalino do olho, o que prejudica a passagem da luz, sendo necessário um procedimento cirúrgico para a retirada do cristalino afetado, que é então substituído por uma lente artificial.

Por sua vez, o glaucoma é um conjunto de doenças que causam danos ao nervo óptico, responsável por transmitir as imagens da retina para o cérebro. O aumento da pressão interna do olho, que ocorre quando o líquido ocular não é drenado adequadamente, é um dos principais fatores de risco. Na ausência de tratamento, a condição pode levar à perda permanente da visão. O glaucoma primário de ângulo aberto é o tipo mais comum, representando cerca de 60% dos casos diagnosticados no Brasil, conforme dados da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

Atualmente, o tratamento em ambiente público usualmente inicia-se com colírios para redução da pressão ocular. Quando esses medicamentos não são eficazes ou causam efeitos indesejados, são considerados procedimentos a laser ou cirurgias. Para quadros leves a moderados do tipo primário de ângulo aberto, uma opção já oferecida pelo SUS é o implante de drenagem oftalmológico, conhecido como iStent.

Com a nova abordagem, será possível tratar o glaucoma durante a cirurgia de catarata. Essa metodologia incorpora duas técnicas cirúrgicas. Na goniotomia excisional, o cirurgião realiza uma pequena incisão na córnea para remover parte do tecido que dificulta a drenagem. Na trabeculotomia transluminal, um microcateter ou fio cirúrgico é introduzido no canal de drenagem natural do olho, ampliando a passagem.

De acordo com especialistas, a escolha das técnicas depende da anatomia do olho, do perfil do glaucoma e da avaliação do cirurgião, não existindo uma única abordagem que seja superior para todos os pacientes. Ambas as técnicas serão realizadas em conjunto com a facoemulsificação, que é o procedimento padrão para remoção de catarata, onde o cristalino opaco é fragmentado, retirado por uma microabertura e substituído por uma lente intraocular.

A combinação dessas técnicas é considerada menos invasiva, proporciona uma recuperação mais rápida, diminui os riscos de complicações e assegura um controle mais eficaz da pressão intraocular. Um dos benefícios potenciais apontados é a redução na dependência de colírios; no entanto, o acompanhamento médico continua sendo essencial.

Além do avanço clínico, essa nova abordagem foi avaliada sob o aspecto financeiro. A realização da goniotomia excisional tem o potencial de gerar uma economia de aproximadamente R$ 18 mil por ano de vida saudável em comparação ao uso do iStent, resultando em uma diminuição de custos estimada em R$ 22,4 milhões no primeiro ano de sua implementação.

O projeto Saúde Pública recebe apoio da associação civil Umane, dedicada a auxiliar iniciativas que promovem a saúde.

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