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sexta-feira, outubro 2, 2026
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Um Ano Após: O Renascimento do Multilateralismo – 01/10/2026 – Mundo

Na Assembleia Geral da ONU do ano anterior, o discurso do presidente Donald Trump deixou uma impressão marcante: ele propunha uma nova ordem mundial fundamentada na força e insistia que “a única solução para as guerras é a ação”. Esse conceito se concretizou com a criação do Board of Peace, ou Conselho da Paz, porém, atualmente a entidade encontra-se em um estado de inércia, enquanto o Grupo de Haia, formado para responder ao genocídio na faixa de Gaza, fortaleceu-se como uma aliança em favor de um multilateralismo que prioriza direitos, equidade e justiça.

Trump retornou à Assembleia Geral recentemente, enfatizando a superioridade da força. No entanto, seu isolamento foi evidente diante do apoio crescente ao multilateralismo, com o presidente Lula defendendo a revitalização da ONU como um “templo da paz” em um momento crucial de sua vida.

Mesmo enquanto ameaçava ao Irã de sua tribuna, Trump parece admitir os limites da coerção, já que seus representantes estavam envolvidos em negociações com o chanceler iraniano nos bastidores.

Um ano depois de previsões sobre a morte do multilateralismo, observa-se um renascimento desta abordagem. Contudo, as dificuldades persistem, incluindo cortes de financiamento, desrespeitos à soberania, desprezo pelas normas da guerra, inação frente à emergência climática e a concentração de poder econômico.

Esses desafios não são inéditos. Durante a Guerra Fria, o bloqueio no Conselho de Segurança foi evidente, e o multilateralismo não conseguiu prevenir atrocidades em Ruanda e na Bósnia, enquanto os efeitos da invasão do Iraque ainda influenciam a agressão russa à Ucrânia. A pandemia, por sua vez, destacou a interdependência dos problemas globais e a dificuldade em transformar solidariedade em ações efetivas.

Ao contrário do temor do ano anterior, a atual Assembleia Geral demonstrou um robusto apoio internacional à renovação do multilateralismo, iniciando com o lançamento da Parceria pelo Multilateralismo. Este esforço é liderado por sete nações e pela União Europeia, reafirmando o compromisso com instituições e normas internacionais. Vários líderes destacaram que “a cooperação não é um ato idealista; é uma necessidade prática”.

Em um cenário de crise global de segurança alimentar, exacerbada por fatores como o fechamento do estreito de Hormuz, a guerra na Ucrânia e o fenômeno El Niño, a questão não é mais se o multilateralismo persistirá, mas como poderá se adaptar para enfrentar os obstáculos contemporâneos.

Dois desafios principais emergem: inteligência artificial e desigualdade. Os líderes William Ruto, do Quênia, e Alexander Stubb, da Finlândia, introduziram a Iniciativa das Potências Médias para a Inteligência Artificial, enfatizando o risco de dependências tecnológicas e políticas no domínio da IA, dominado por Estados Unidos e China.

Propostas também ganham destaque, como a ideia de um Painel Internacional sobre Desigualdade, similar ao IPCC. Essa iniciativa visa reunir dados sobre desigualdades tanto internas quanto entre países, propondo reformas financeiras e sociais, apoiada por nações como Brasil, Noruega, África do Sul e Espanha, que buscam uma resolução na Assembleia Geral.

O futuro do multilateralismo não será determinado por uma liderança singular ou apenas por novas iniciativas. É imperativo que palavras se convertam em ações, principalmente diante da desconfiança da potência hegemônica quanto às mudanças na ordem internacional.

O foco desta Assembleia Geral não foi na defesa nostálgica de instituições do passado, mas na demanda por soberania, prosperidade compartilhada e uma distribuição mais equitativa do poder, especialmente em favor do Sul Global. Se o encontro do ano passado trouxe uma expectativa de fim, o evento deste ano apontou para uma nova realidade: no enfrentamento dos desafios do século 21, agir isoladamente já não é uma alternativa viável.

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