A TV Globo decidiu cancelar o debate entre os candidatos à Presidência da República, uma vez que decisões judiciais recentes alteraram as regras previamente estabelecidas. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro optaram por não participar do evento.
A emissora manifestou sua insatisfação com a interferência nas normas acordadas. Durante a noite do debate, duas decisões judiciais impactaram o que havia sido combinado. A primeira, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impediu a emissora de mostrar o púlpito vazio destinado a Lula, em virtude do seu cancelamento. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos, do partido Missão, também deveria ser convidado para o debate.
Em protesto às mudanças nas regras, Flávio Bolsonaro, candidato do PL, anunciou a suspensão de sua participação.
“A Globo recebeu há pouco duas notificações relacionadas ao debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento”, declarou a emissora, aludindo às decisões judiciais.
Adicionalmente, a emissora destacou que “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa possuem para organizar debates eleitorais.”
A nota da TV Globo esclareceu as razões para o cancelamento do debate. A primeira notificação, da ministra Estela Aranha do TSE, invalidou o item que permitia manter o púlpito vazio para candidatos ausentes, o que incluía Lula. Segundo as regras, caso um candidato não comparecesse, seu púlpito deveria permanecer vazio ao lado de uma placa identificativa. Durante uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes poderiam fazer perguntas ao ausente, o que foi proibido pela decisão da ministra.
A segunda notificação foi uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que atendeu a um pedido do partido Solidariedade, garantindo que Renan Santos, mesmo sendo de um partido com apenas um parlamentar, fosse convidado para participar do debate. A legislação determina que devem ser obrigatoriamente convidados candidatos cujos partidos possuem pelo menos cinco representantes no Congresso.
Além disso, uma decisão anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou o entendimento sobre a contagem de parlamentares no Congresso, permitindo que o candidato Romeu Zema, do partido Novo, participasse do debate.
Com uma longa tradição em organizar debates eleitorais, a Globo ressaltou seu compromisso em promover o diálogo e permitir que os eleitores comparem propostas. Contudo, a emissora argumentou que as decisões judiciais em sequência, tão próximas do evento, afetaram a segurança jurídica, levando-a a optar pelo cancelamento do debate. No horário do evento, será exibido um novo capítulo da novela “Quem Ama Cuida.”



