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segunda-feira, outubro 5, 2026
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Sem os votos de Garotinho, Douglas Ruas teria sido eleito no 1º turno no Rio

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), de 37 anos, estaria prestes a ser declarado governador do estado ainda no primeiro turno, caso os votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos) sejam considerados nulos. O ex-governador aguarda a decisão sobre o julgamento de um recurso referente ao indeferimento de sua candidatura.

Com 99,76% das urnas apuradas, Douglas Ruas acumulava 49,29% dos votos válidos, enquanto seu principal concorrente, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), registrava 42,74%. A possibilidade de alteração nesse cenário depende da avaliação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca dos votos de Garotinho, que obteve 3,17% da votação nominal. Se esses votos forem descartados, Ruas poderia atingir cerca de 51% dos votos válidos, sendo assim proclamado vencedor no primeiro turno.

Na última sexta-feira (2), o ministro Floriano Marques, do TSE, decidiu que os votos em Garotinho devem ser considerados nulos. A inelegibilidade de Garotinho decorre de uma condenação em ação civil pública que o acusou de desviar R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde para ONGs que financiaram sua pré-candidatura em 2006, durante a gestão da sua esposa, Rosinha Garotinho. Ele foi condenado à perda dos direitos políticos por oito anos, e sua defesa argumenta que a punição deveria ter expirado em agosto deste ano, enquanto o TRE-RJ sustenta que a inelegibilidade se estende até 2033.

Douglas Ruas surpreendeu ao conquistar a vitória nas urnas, especialmente após ficar atrás nas pesquisas prévias. O deputado, que está em seu primeiro mandato, apresentou-se ao eleitorado como representante do bolsonarismo no Rio de Janeiro, buscando conectar seu principal oponente às políticas do atual governo.

Além de Ruas e Paes, participaram da disputa candidatos como o vereador Willian Siri (PSOL), o empresário André Marinho (Novo), o sindicalista Cyro Garcia (PSTU), e outros. A vitória de Ruas representaria a continuidade da governança bolsonarista no estado, mesmo após dificuldades enfrentadas pelos ex-governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro, ambos associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ruas buscou se distanciar dos antigos representantes do bolsonarismo, posicionando-se como parte de uma “nova política”, embora alinhado com o senador Flávio Bolsonaro, que é candidato à presidência. Ele é filho de um prefeito e aliado do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ).

Apesar de seu histórico como inspetor da Polícia Civil, Ruas atuou na corporação por apenas três anos antes de mudar para cargos na Prefeitura de São Gonçalo e na administração estadual. Durante a campanha, usou sua experiência como policial para reforçar sua conexão com a segurança pública.

Em abril, foi eleito presidente da Alerj com a intenção inicial de assumir o governo estadual após a renúncia de Castro, um objetivo frustrado, já que o cargo foi preenchido temporariamente por um desembargador. Ruas teve pedidos negados pelo Supremo Tribunal Federal para assumir a posição, mas optou por evitar críticas ao interino.

Além de sua carreira política, ele também é empresário, sendo sócio de uma empresa de construção que, em anos recentes, fez aquisições significativas, gerando investigações pelo Ministério Público acerca de possíveis irregularidades financeiras. Ruas nega as acusações e afirma não misturar suas atividades públicas com interesses privados.

Se confirmado como governador, o principal desafio do novo líder será lidar com a profunda crise que o estado enfrenta, em decorrência de investigações sobre a relação de políticos com o crime organizado, envolvendo até mesmo seus aliados de campanha. Ruas também terá de implementar um plano de retomada de territórios, conforme novo regime estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Esse plano, apresentado em dezembro, proposta para áreas como Rio das Pedras e Gardênia, prevê ações policiais que buscam o controle de territórios, seguidas da instalação de estruturas de Justiça e direitos humanos. A proposta foi elaborada na gestão anterior e conta com o envolvimento de secretários ainda no governo interino.

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