quarta-feira, outubro 7, 2026
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A pesquisa revela que a influência da China é mais favorável do que a dos EUA na América Latina.

A América Latina tem demonstrado um crescente desencanto com diversas lideranças da esquerda que governaram a região nos últimos anos. Várias eleições recentes resultaram na ascensão de candidatos de direita, embora isso não indique um apoio absoluto às políticas norte-americanas predominantes durante o governo de Donald Trump.

O Latinobarómetro, uma pesquisa de opinião pública realizada anualmente, revelou pela primeira vez que a influência da China é percebida de forma mais positiva pelos latino-americanos do que a dos Estados Unidos. Entre os dados, 65% dos entrevistados aprovaram a presença chinesa, um aumento em relação aos 48% registrados em 2020, enquanto 57% expressaram apoio à influência dos EUA.

O Chile exemplifica bem esse paradoxo. O país elegeu José Antonio Kast, considerado um dos presidentes mais alinhados ideologicamente a Trump, mas 70% dos chilenos veem a influência chinesa de forma favorável, em contraste com apenas 46% que consideram os Estados Unidos positivos.

Entretanto, isso não implica que o governo de Kast tenha adota uma postura favorável à China, nem que a população da região esteja trocando Washington por Pequim como referência política. Na verdade, quando questionados sobre a imagem dos dois países, os americanos ainda mantêm uma percepção mais favorável na região.

A diferença, segundo Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, está na ideia de “influência”. Ela provoca: “O vazio que a China preenche é o dos bolsos.” Para milhões de latino-americanos, a presença chinesa não é um debate em torno de ideologias como comunismo ou democracia, mas sim uma questão prática relacionada às ofertas de produtos, como celulares, eletrodomésticos e veículos, que se tornaram mais acessíveis. Para os países, isso também se traduz em oportunidades de comércio, infraestrutura e investimento.

A imagem que a China projeta é bastante distinta daquela considerada rival política pelos Estados Unidos. Por outro lado, a percepção positiva dos norte-americanos na região sofreu uma queda, passando de 73% em 2024 para 63% neste ano, e 55% dos entrevistados acreditam que as políticas do ex-presidente Trump terão consequências negativas globalmente. Essa mudança não pode ser atribuída exclusivamente ao ex-presidente, mas revela um contraste significativo.

Esse cenário ajuda a desmistificar uma ideia frequentemente equivocada: os latino-americanos parecem separar as escolhas políticas relativas a quem governa seus países, quais valores defendem e qual potência internacional consideram benéfica. Embora a região tenha optado por candidatos de direita, ela faz outra escolha à sombra das grandes potências – por enquanto, essa escolha favorece a China.

Na prisão feminina de segurança máxima de Chorrillos, em Lima, mulheres detidas estão confeccionando bonecos de veludo do papa Leão XIII em preparação para sua visita ao Peru em novembro. Essas 78 mulheres estão engajadas também na produção de pulseiras e colares, como parte de um programa de reinserção ao mercado de trabalho do sistema prisional.

Dentre as novidades culturais, destaca-se o lançamento de “Los Nuestros”, da jornalista Catalina Oquendo, que explora os “falsos positivos” – execuções extrajudiciais do Exército colombiano disfarçadas como mortes em combate. A obra é baseada em um caso real e narra as experiências de familiares que buscam entender o que aconteceu com seus entes queridos.

Outro título significativo é “Años luz: Dos Décadas de una Crónica Latinoamericana”, de Jacobo Garcia, que ganó o 7º Premio Anagrama de Crónica. O livro apresenta uma mescla de memória, reportagens e bastidores, abrangendo eventos como o caso Ayotzinapa, o governo de Chávez, as elecciones na Colômbia, o assassinato de Jovenel Moïse e o fenômeno do narcotráfico no México.

Por fim, no que se refere à cultura, inicia-se neste fim de semana a 54ª edição do Festival Internacional Cervantino em Guanajuato, no México, que ocorre ao longo de 16 dias e reúne música, teatro, dança, ópera, cinema e artes visuais. Com a participação de 2.746 artistas de 29 países e 212 apresentações, a França é o país convidado de honra, enquanto a programação inclui um amplo espectro de performances e artistas internacionais.

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