Um novo carro elétrico para dois passageiros, com autonomia de 150 quilômetros e preço inicial de R$ 65 mil, é a principal novidade da E-Motors, que está se preparando para erguer uma fábrica de veículos elétricos em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo. O investimento inicial no projeto está estimado em R$ 112 milhões, com uma capacidade de montagem de até 30 automóveis por dia. A chegada da E-Motors sinaliza um avanço na formação de um polo automotivo capixaba, que já ganha impulso com a instalação da fábrica da GWM em Aracruz. A empresa brasileira unirá tecnologia e know-how chineses na produção de seus veículos.
O modelo de entrada, chamado EMOVA Pop, foi projetado para o tráfego urbano e é destinado à locomoção de duas pessoas. O modelo terá um preço variando entre R$ 65 mil e R$ 70 mil. O intuito é atrair consumidores que utilizam o automóvel principalmente para fins de trabalho, educação ou deslocamentos curtos dentro das cidades. Esse valor situa o EMOVA Pop em uma faixa de preço mais acessível em comparação com a maioria dos carros elétricos atualmente disponíveis no Brasil, podendo criar uma nova camada de consumidores no mercado.
De acordo com o diretor de atração de investimento e promoção da NOVA ES, a intenção é oferecer um produto com um valor que torne a compra mais viável. O diretor afirma que o veículo não é de baixa qualidade, mas sim um produto que busca atender uma classe de consumidores que ainda não havia sido contemplada pelos modelos elétricos que predominam no mercado, cujos preços costumam começar na faixa de R$ 110 mil.
Além do EMOVA Pop, a E-Motors tem planos para produzir outros dois modelos em Jaguaré. O EMOVA Easy, que terá quatro portas, é projetado para ter uma autonomia em torno de 200 quilômetros e preço estimado entre R$ 90 mil e R$ 100 mil. Por sua vez, o EMOVA Urban terá autonomia de cerca de 330 quilômetros, com preços entre R$ 110 mil e R$ 120 mil. Todos esses valores ainda são provisórios e dependem da confirmação da empresa.
O início das operações começará com a importação de peças e componentes, que serão montados no estado. A estrutura industrial ocupará um galpão com cerca de 2 mil metros quadrados e uma área de 10 mil metros quadrados destinada ao armazenamento. A produção inicial pretende alcançar a montagem de 20 a 30 veículos por dia, após o período de adaptação. A equipe responsável pela montagem será composta, inicialmente, por aproximadamente 20 profissionais brasileiros e 20 chineses, que também contribuirão na transferência de tecnologia.
O CEO da E-Motors, Mercídio Givisiez, destacou que a primeira fase do projeto é crucial para estruturar as operações, testar o processo de montagem e avaliar a reação do mercado brasileiro. Com base nos resultados obtidos, a empresa planeja expandir a estrutura e aumentar a capacidade de produção.
A E-Motors pretende realizar as vendas através de concessionárias e parceiros, primeiramente focando no mercado brasileiro. A longo prazo, a empresa poderá ampliar sua atuação para outros países da América do Sul, como Uruguai, Chile, Equador e Bolívia. As expectativas são de que os primeiros veículos estejam disponíveis para o mercado capixaba ainda em 2026, com a possibilidade de iniciar a montagem em fevereiro de 2027; no entanto, esse prazo é considerado desafiador.
Ainda há etapas importantes a serem cumpridas, como obtenção de licenças, incentivos e a preparação da estrutura industrial. A capacidade de produção poderá aumentar conforme a aceitação dos veículos no mercado brasileiro. O investimento previsto para a primeira fase é de R$ 112 milhões, com a expectativa de um novo aporte futuro para a próxima fase do projeto.
A escolha de Jaguaré como local para a fábrica reforça a estratégia de desenvolver o Norte do Espírito Santo como um polo de produção automotiva. Sua proximidade com a futura unidade da GWM em Aracruz favorece o compartilhamento de fornecedores, serviços logísticos e profissionais qualificados. Além disso, a localização da E-Motors permite atender a mercados consumidores em Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e no Sul da Bahia. Se o plano seguir conforme o esperado, Jaguaré poderá se estabelecer como um importante centro da indústria brasileira de veículos elétricos, com os próximos passos envolvem a apresentação dos modelos, finalização do licenciamento e a confirmação do cronograma.

