Um agente do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) disparou contra um imigrante da República Dominicana em Nova York na quinta-feira, dia 8. O homem foi ferido e precisou ser hospitalizado, o que gerou um incremento na campanha de Zohran Mamdani, prefeito da cidade, em busca da extinção dessa agência.
O Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, confirmou o incidente. Em seu comunicado, a entidade afirmou que o imigrante se encontrava no país irregularmente e possuía um histórico criminal, incluindo prisões por furto e posse de arma, além de uma suposta ligação com gangues dominicanas.
O nome do homem não foi divulgado. O ocorrido aconteceu no Bronx, uma área conhecida pela diversidade étnica, incluindo uma significativa população caribenha, composta por dominicanos e porto-riquenhos. Protestos surgiram logo após o tiroteio.
O departamento não detalhou os motivos que levaram o agente a atirar, mas mencionou que o caso está sendo investigado. Apenas uma semana antes, outro agente do ICE atirou em um imigrante venezuelano no Texas. Vale lembrar que, no início deste ano, dois cidadãos americanos foram mortos por agentes da mesma agência em Minneapolis, fato que gerou manifestações intensas.
Mamdani, prefeito democrata, revelou que o imigrante ferido estava acompanhado por uma criança de 5 anos, que não foi atingida. Essa informação foi ignorada na declaração do ICE.
Em uma tentativa de ação direta, o prefeito relatou ter contatado o presidente Donald Trump para solicitar a suspensão de todas as operações do ICE na cidade. Mamdani qualifica o dominicano ferido como “nova-iorquino”, em contraste com a definição da Casa Branca, que optou por rotulá-lo como “um imigrante ilegal criminoso”.
Defensor da extinção do ICE, Mamdani classificou o episódio como “sem escrúpulos e extremamente sério”. Ele se reuniu com o presidente Trump há cerca de duas semanas, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, também democrata e em busca de reeleição no próximo dia 3, condenou a ação e afirmou que “nenhuma criança deveria passar pelo terror de tiros, especialmente sem saber se retornará para casa com segurança”.
As operações do ICE em todo o país têm se intensificado, com relatos de que os agentes foram instruídos a aumentar as detenções diárias de 2.000 para 3.000. Em Nova York, as ações têm crescido, mesmo com a cidade sendo reconhecida por sua política de acolhimento a imigrantes irregulares.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o imigrante dominicano havia sido preso pela Polícia de Nova York em dezembro de 2023, mas foi liberado devido a “políticas imprudentes de santuários democratas que colocam vidas americanas em risco”. Mamdani, que assumiu a prefeitura neste ano, destacou que a cidade já contava com um prefeito democrata na época.
Criado em 2003 após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o ICE reconfigurou o cenário da imigração nos Estados Unidos, conferindo uma abordagem muito mais voltada à segurança.

