O presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, expressou seu desejo de contatar Navi Pillay, que foi anunciada como a vencedora do prêmio deste ano. Frydnes disse: “Infelizmente, não conseguimos falar com Pillay. Então, minha mensagem para ela seria: se um número norueguês te ligar, por favor, atenda. Estou ansioso para conversar com você assim que possível.”
A tradição de avisar os premiados, que vale para diversas categorias concedidas por instituições suecas, conta com uma abordagem de sigilo. Thomas Perlmann, secretário-geral da Assembleia do Nobel, destacou que não há aviso antecipado para os vencedores, o que adiciona uma camada de segredo ao processo, protegendo-o de vazamentos e influências externas. O mesmo reconheceu que essa prática contribui para a criação de um clima de mistério em torno do anúncio dos premiados.
Em algumas ocasiões, a própria ligação que comunica o prêmio é divulgada pelos vencedores e pelo comitê após o anúncio. No ano anterior, por exemplo, María Corina Machado e Frydnes se emocionaram durante a conversa. Devido às diferenças de fuso horário em vários anos, é comum que a ligação atinja os vencedores enquanto estes estão dormindo. Geoffrey Hinton, vencedor do Nobel de Física de 2024, relatou que recebeu a chamada por volta da 1 da manhã, enquanto se hospedava em um hotel simples na Califórnia. “É um milhão de vezes mais provável que seja um sonho do que realidade”, recorda ele, pensando na voz sueca que lhe trouxe a notícia.
Pillay, uma jurista sul-africana de origem indiana, atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional e foi Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU. Na ocasião do anúncio, ela participava de uma conferência anual de advogados e juízes em Nuremberg, na Alemanha, onde a notícia sobre sua premiação causou uma onda de aplausos entre colegas. “Espero que não seja uma piada”, brincou a jurista diante da situação. Ela também ironizou o apoio recebido, sugerindo que, se os aplausos continuassem, poderia dividir o prêmio com Donald Trump.
Sobre o reconhecimento que recebeu em relação aos seus relatórios que denunciaram genocídio em Gaza, Pillay comentou: “Uma das reações foi prestar homenagem a mim pela minha coragem. Imagine minha surpresa! Por que você precisa de coragem para dizer a verdade? É uma questão de interpretar a lei e analisar os fatos, resultando em uma decisão imparcial.”

