O Dia de Nossa Senhora Aparecida, que é comemorado na segunda-feira, dia 12, destaca a história da famosa imagem descoberta, segundo a tradição, no Rio Paraíba do Sul, em 1717. Este rio é um dos mais importantes da região Sudeste do Brasil.
Uma pesquisa conduzida pela professora Isabela Frade, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), revela que a escultura passou por diversas transformações materiais e de significado ao longo de mais de trezentos anos.
Com aproximadamente 37 centímetros de altura, a imagem é feita de terracota, uma cerâmica de argila, e retrata Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Conta a tradição que três pescadores foram os primeiros a encontrar o corpo da escultura, que estava sem a cabeça. Em uma nova busca, conseguiram localizar a parte que faltava.
O estudo analisa a imagem sob as perspectivas artísticas, históricas, religiosas e culturais. De origem anônima, a escultura pode ter sido criada por Frei Agostinho de Jesus ou por seus discípulos, conforme sugerido pelas características da obra.
Dentre as particularidades identificadas, destacam-se o rosto delicado, as mãos em posição de oração, a tiara de rosas e o movimento das vestes. Essas características, no entanto, não se mantiveram inalteradas ao longo do tempo; a escultura sofreu deteriorações, intervenções e restaurações.
Uma das modificações mais conhecidas ocorreu em 1978, quando a imagem caiu de seu nicho na Basílica, resultando em uma quebra significativa. Durante o processo de restauração, algumas características foram alteradas, como o alongamento do cabelo para reforçar a fixação da cabeça ao corpo.
Documentos analisados pela pesquisadora indicam que a peça foi inicialmente feita com argila clara e que possuía pintura. Com o passar do tempo, a tonalidade escura apareceu devido à perda da policromia e ao efeito de condições adversas a que a imagem foi exposta.
Isabela Frade ressalta que registros antigos não descreviam a escultura de maneira clara como negra; as referências a designavam como morena ou parda escura. Atualmente, a representação de Aparecida como uma santa negra é a que mais se observa e é reproduzida em cópias da imagem.
A escultura inicialmente foi colocada em um oratório na residência de um dos pescadores. O aumento da devoção local atraiu a atenção de vizinhos e viajantes, o que levou à construção de uma capela à beira da estrada. Hoje, a imagem está abrigada em um nicho no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo.
A pesquisa aponta que esculturas e outras representações religiosas desempenharam um papel fundamental na disseminação da fé católica durante o período colonial, servindo como recursos visuais que comunicavam narrativas para populações que, em sua maioria, não tinham acesso à escrita e contribuíam para a formação de identidades e laços com a religiosidade popular.

