sexta-feira, outubro 16, 2026
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MPES investiga denúncia de assédio eleitoral após demissão em Santa Teresa

Uma servidora da Prefeitura de Santa Teresa, Cristiane Pimenta, alegou ter sido exonerada de seu cargo comissionado por não apoiar candidatos que contavam com a aprovação do prefeito Kleber Medici (PSDB). O desligamento ocorreu em 5 de outubro, um dia após as eleições, e gerou uma Notícia de Fato Eleitoral do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para investigar a denúncia de suposto assédio eleitoral.

O MPES informou que tomou conhecimento do caso através da Ouvidoria e, por meio da Promotoria Eleitoral da 11ª Zona Eleitoral, iniciou investigações preliminares. Entre as primeiras ações, o secretário de Governo de Santa Teresa foi convocado para prestar esclarecimentos, enquanto a denunciante foi intimada a fornecer mais informações e a gravação de sua conversa que, segundo ela, comprovaria os fatos narrados.

De acordo com Cristiane, ela foi chamada por João Paulo, chefe de gabinete do prefeito, para uma reunião na sede da administração municipal. Durante o encontro, que ocorreu na tarde do dia 5 de outubro, ele mencionou que houve insatisfação em relação ao seu não apoio aos candidatos durante a campanha eleitoral e que o prefeito solicitou sua exoneração. A funcionária relatou que possui a gravação da reunião e pretende usá-la para auxiliar nas investigações.

Em sua denúncia, Cristiane afirma que, durante o período eleitoral, foi pressionada a apoiar as candidaturas do grupo do prefeito, o que incluía pedir votos, participar de campanhas e adesivar seu veículo. Ela optou por não participar dessas atividades, alegando que essa decisão foi uma escolha política pessoal. Ela também mencionou que cerca de 15 dias antes das eleições, um colega deixou material de campanha em sua mesa no Centro Agrossocial, onde trabalhava, e que já havia informado ao prefeito sobre sua recusa em se envolver em atividades eleitorais.

A filha de Cristiane, Maria Clara, afirmou que a mãe ficou emocionalmente abalada após a exoneração e sentiu-se humilhada pela forma como foi informada da decisão, considerando seus anos de dedicação ao serviço público. Maria Clara também acompanhou a mãe na reunião e gravou a conversa por receio de que não conseguisse provar o que foi dito.

Na denúncia, Cristiane destacou os impactos financeiros de sua demissão, relatando depender da remuneração para cumprir com suas obrigações mensais. Ela não contesta a exoneração de um cargo comissionado, mas sim a possibilidade de que essa decisão tenha sido motivada por retaliação devido à sua escolha política. Além do boletim de ocorrência registrado na Delegacia Virtual, a servidora apresentou o caso ao MPES, onde especialistas analisam a possibilidade de assédio eleitoral ou abuso de poder político, uma vez que tais práticas podem se constituir em irregularidades, dependendo das circunstâncias e das provas coletadas.

A Prefeitura de Santa Teresa foi questionada sobre a exoneração da servidora, a possível cobrança de apoio eleitoral e a entrega de material de campanha em seu local de trabalho, mas até o momento não se manifestou sobre o caso, deixando em aberto a possibilidade de uma futura resposta.

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