O advogado Willer Tomaz está sendo investigado pela Polícia Federal por supostas movimentações financeiras suspeitas, incluindo lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Considerado o maior apostador do Brasil, de acordo com uma análise do Ministério da Fazenda, Tomaz teria sacado mais de R$ 200 milhões de casas de apostas, totalizando cerca de R$ 350 milhões em depósitos e saques, volume que supera em mais de 60% o montante do segundo maior apostador no País.
A maior parte dos R$ 5 bilhões mencionados se refere a valores ganhos, reapostados ou perdidos em plataformas de apostas. Tomaz também teria investido R$ 13 milhões em uma casa de apostas que é investigada por operar para a facção criminosa PCC. Além disso, a PF detectou movimentações financeiras de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 em uma conta sob responsabilidade do advogado, cujos valores são considerados incompatíveis com suas atividades conhecidas, exigindo investigação detalhada sobre a origem desses recursos.
A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro também é alvo de apuração. A PF encontrou no celular de Tomaz imagens de ambos em diversas ocasiões sociais. Tomaz é um dos proprietários da aeronave utilizada por Flávio em janeiro de 2025, a qual é gerida por uma empresa associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, uma holding de apostas de Tomaz custeou viagens de Flávio entre países europeus.
Os investigadores também suspeitam que Flávio e Tomaz compartilharam uma conta bancária, embora a assessoria do candidato tenha negado essa informação. A Fazenda está denunciando a empresa Blaze, alegando que houve falhas no controle das operações financeiras de Tomaz, citando, por exemplo, um depósito de R$ 7 milhões feito em um único dia e um saque de R$ 6 milhões em um intervalo de 18 minutos.
Tomaz, por sua vez, refuta qualquer irregularidade, afirmando que os recursos são legítimos, declarados à Receita Federal, e contesta os valores divulgados. A campanha de Flávio mantém que o vínculo entre os dois é meramente amistoso.
Conforme a PF, Flávio era listado como “usuário master” de uma conta na Alcazar Holding, controlada por Willer, possuindo alto grau de acesso e gestão até maio de 2025. Além disso, Flávio foi identificado entre os contatos favoritos de Willer no aplicativo Confide, que elimina mensagens após a leitura.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que visa investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz alcançou 100 adesões, sendo 85 de deputados e 15 de senadores. Para a formalização do pedido, são necessárias 198 assinaturas, incluindo pelo menos 171 de deputados e 27 de senadores.
Parlamentares da situação pressionam a oposição por apoio e recordam que membros do PT participaram de uma CPMI envolvendo Lulinha. O requerimento da CPMI inclui 16 deputados e 16 senadores, com um prazo de 180 dias para a investigação de dois inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal. Apesar do número de assinaturas, a instalação da CPMI depende da leitura do pedido pelo presidente do Congresso.
A PF também descobriu mensagens e documentos que indicam que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, contratou serviços para remover ou desindexar reportagens no Google que os ligam. Um relatório aponta que uma planilha apreendida contém 12 links removidos por uma empresa especializada em proteção da reputação digital, com cobranças estipuladas em R$ 1.000 por link, totalizando R$ 9 mil após descontos.
As matérias excluídas abordavam a amizade de Willer com Flávio e encontros do senador com operadores de cassinos em Las Vegas. A PF argumenta que esses dados apontam para a estreita relação entre eles, que estão sob investigação por lavagem de dinheiro e evasão via plataformas de apostas. Willer se defende afirmando que buscou judicialmente remover conteúdos antigos e desatualizados e nega ter tentado se dissociar de Flávio, denunciando a investigação como uma tentativa de “pescaria probatória” com objetivos eleitorais.

