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O que é, Como Funciona e Quais São os Seus Riscos

Divulgação científica mostra que a busca pela estética de cílios longos, volumosos e escuros sempre esteve presente entre os desejos das pessoas. A tendência foi se afastando das tradicionais máscaras de rímel e alongamentos artificiais, ganhando espaço nas farmácias.

O destaque desse novo cenário é o Latisse, o primeiro produto farmacêutico reconhecido para tratar a escassez de pelos nas pálpebras. No entanto, muitos não sabem que sua origem não está no setor de cosméticos. O sucesso do Latisse vem de um efeito colateral inesperado de uma substância desenvolvida para o tratamento de uma grave condição ocular.

A bimatoprosta é o princípio ativo do Latisse, inicialmente utilizada em colírios para o tratamento do glaucoma, que provoca aumento da pressão intraocular e pode resultar em cegueira. Durante os tratamentos, alguns pacientes notaram que os cílios na área aplicada cresciam de forma acelerada, tornando-se mais espessos e escuros. Reconhecendo o potencial comercial dessa descoberta, a empresa por trás do Latisse adaptou a solução para um uso estético.

Pesquisas clínicas indicam que a bimatoprosta atua diretamente no ciclo de vida dos pelos, prolongando a fase anágena, que é a fase de crescimento ativo. Isso leva a um crescimento maior dos fios antes de caírem. A substância também estimula os melanócitos, que são as células responsáveis pela coloração, resultando em cílios mais escuros.

Os efeitos do Latisse geralmente encantam aqueles que desejam um visual impactante. Os primeiros resultados começam a ser notados após seis semanas de uso diário, atingindo o máximo de alongamento e volume por volta do quarto mês. Contudo, um aspecto importante a ser mencionado é que o efeito não é duradouro. Como o remédio altera artificialmente o ciclo natural dos fios, ao interromper o uso, os cílios antigos caem e os novos surgem nas dimensões e espessura originais em algumas semanas. Assim, para manter os resultados, é necessário um investimento constante em termos de dinheiro e rotina.

É fundamental notar que, apesar de ser apresentado como um produto milagroso, o Latisse é um medicamento e, como tal, apresenta contraindicações e possíveis efeitos adversos. O uso inadequado ou sem supervisão médica pode converter a busca pela estética em problemas de saúde. Entre os efeitos colaterais comuns relatados estão hiperpigmentação das pálpebras, gerando manchas escuras próximas aos cílios, que podem conferir uma aparência de olheiras.

Além disso, há o risco de alterações na cor dos olhos; em raros casos, se o produto escorre para dentro do olho, pode provocar um aumento na pigmentação da íris, alterando de forma permanente a cor de olhos claros. A atrofia da gordura periorbitária também é uma possibilidade: o uso prolongado pode resultar na perda de gordura ao redor dos olhos, tornando as pálpebras com uma aparência mais envelhecida. Irritações, como vermelhidão, coceira intensa, olho seco e hipersensibilidade são queixas comuns associadas à aplicação do produto.

É importante ressaltar que a aplicação nos cílios inferiores é desaconselhada por profissionais, uma vez que aumenta a chance de os fios crescerem voltados para dentro dos olhos ou de manchar a pele.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que o Latisse seja adquirido apenas com receita médica. A automedicação, seja comprando o produto ou utilizando colírios genéricos de bimatoprosta sem supervisão, representa um risco desnecessário.

Os especialistas reforçam que uma avaliação com um dermatologista ou oftalmologista é essencial antes de iniciar o tratamento. O profissional fará uma análise da saúde ocular do paciente, verificando histórico de pressão intraocular baixa ou infecções ativas, além de ensinar a técnica correta de aplicação, que deve ser realizada com os pincéis disponíveis no kit do produto para evitar contaminações. A saúde ocular deve sempre ser priorizada na busca pela beleza.

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