O aumento do crime organizado no futebol brasileiro, associado ao uso do mercado de agenciamento de jogadores para lavagem de dinheiro, foi abordado na edição desta semana do programa Bate-Bola com Luiz Rocha, agente credenciado pela FIFA e CEO da Sport Agency. Rocha, que também é autor de um guia voltado para pais de jovens atletas, destaca que a infiltração de facções criminosas no futebol já se estende a jogadores de renome, sem limites para as categorias de base.
De acordo com Rocha, organizações como o PCC e o Comando Vermelho estão utilizando o agenciamento como uma forma de movimentar recursos ilícitos. A tática envolve oferecer quantias significativas para que jogadores rompam contratos existentes com seus agentes e sejam representados por agências ligadas ao crime organizado.
Esse movimento permite que as operações com os atletas disfarcem o dinheiro e ofereçam uma fachada de legalidade aos recursos. “O crime organizado possui grandes quantias de dinheiro, que necessitam ser lavadas, e quanto mais rápido obtiverem retorno sobre o investimento, melhor”, afirma ele.
Um dos principais pontos de preocupação abordados por Rocha é a relação com as famílias de jogadores em formação. Atletas com idades entre 10 e 11 anos frequentemente precisam se mudar com seus pais para localidades onde estão os clubes, uma vez que não podem residir em alojamentos antes dos 14 anos.
Os altos custos envolvidos em aluguéis e manutenção impõem dificuldades financeiras a algumas famílias, tornando-as vulneráveis às propostas atraentes de indivíduos associados ao crime. “Muitas dessas famílias não têm infraestrutura ou condições financeiras para sustentar essa estrutura. Por isso, tornam-se alvos fáceis para os criminosos”, enfatiza.
Rocha critica também a postura de alguns clubes, que, segundo ele, ignoram os laços de certos agentes com organizações criminosas quando há um interesse na contratação de um jogador. Em algumas situações, famílias enfrentam ameaças para que atletas continuem a renovar seus contratos com determinadas agências.
“O que acontece é que existem famílias que recebem ameaças: ‘Se você não renovar o contrato, você realmente se preocupa com seus filhos? Se não renovar, algo ruim pode acontecer com eles’”, ressalta.
Durante a entrevista, Rocha fornece explicações sobre como ocorre o aliciamento, quais sinais devem alertar os pais e os desafios para cortar vínculos uma vez que uma família aceita propostas de origem suspeita. Ele defende a necessidade de maior colaboração entre as autoridades e cooperação internacional para investigarem e rastrearem os recursos, dado que essas operações podem abranger múltiplos países.
O guia que ele elaborou tem como objetivo alertar as famílias e impedir que o sonho de formar um jogador se torne uma porta de entrada para o crime organizado.

