A inteligência artificial (IA) tem se mostrado eficaz na organização de informações, na automação de atividades, na antecipação de riscos e no apoio à tomada de decisões. No entanto, ainda é crucial reconhecer que o contato humano, a conexão e a responsabilidade são insubstituíveis no cuidado com as pessoas. Essa mensagem foi um dos principais destaques do 7º Rede Saúde Summit, ocorrido no dia 5 de outubro, em Vitória. O evento contou com a presença de profissionais de hospitais, clínicas, operadoras de saúde, plataformas tecnológicas e instituições educacionais, com o objetivo de debater o tema “Qualidade como Estratégia: Para Além dos Indicadores”.
Durante as apresentações, os participantes enfatizaram que a tecnologia e a qualidade vão além da mera aquisição de sistemas e ferramentas de IA. Para que se obtenham resultados efetivos, é fundamental que a inovação seja acompanhada de processos bem estruturados, colaboradores qualificados e uma experiência que priorize a segurança e acolhimento ao paciente.
Em tempos de avanço da inteligência artificial, um importante ensinamento ressaltado pela diretora-executiva do evento é que a presença humana no cuidado é insubstituível. A IA visa otimizar processos, mas não substituir as relações interpessoais essenciais.
O debate ocorre em um cenário de crescimento significativo do setor de saúde no Espírito Santo. Informações do Connect Fecomércio-ES mostram que, em junho de 2026, o estado contava com 63.474 empregos formais nas atividades de saúde humana. Este número representa um aumento de 4,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o setor registrava 60.685 postos de trabalho. No primeiro semestre de 2026, foram criados 1.855 novos empregos, correspondendo a 20,2% do total de postos gerados em todos os serviços do Estado.
Conforme análise do coordenador do Observatório do Comércio, os dados indicam que a saúde e o desenvolvimento econômico estão intrinsecamente ligados. Além disso, a quantidade de estabelecimentos de saúde também se ampliou, passando de 9.499 unidades em junho de 2025 para 10.027 em junho de 2026, um aumento de 5,6%. Destes, a maior parte pertence ao setor privado, representando 80,5%, enquanto 17,4% são da esfera pública e 2,1% estão sob gestão de instituições sem fins lucrativos.
No entanto, essa expansão não se deu de maneira uniforme. O número de farmácias teve um crescimento substancial de 39,7%, enquanto a quantidade de leitos de internação permanece praticamente inalterada, com uma leve variação de 11.045 para 11.029.
Outro aspecto importante é o envelhecimento da população, que, entre 2010 e 2022, apresentou um aumento de 73,1% de residentes com 60 anos ou mais, passando de 364,7 mil para 631,3 mil. Sua participação na população total do estado subiu de 10,4% para 16,5%. Essa mudança demográfica está associada ao aumento das internações por doenças crônicas e causas externas. Entre 2015 e 2025, as internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para casos de neoplasias cresceram 57,2%, enquanto as internações por problemas circulatórios tiveram um aumento de 39,1%.
Esse cenário reforça a necessidade de um planejamento cuidadoso, da integração de informações e de uma ampliação da capacidade de atendimento. Também destaca a importância de investimentos em prevenção e um monitoramento das disparidades regionais dentro do estado, onde metade das unidades de saúde está concentrada na Região Metropolitana, enquanto o Norte apresenta apenas 2,10 leitos para cada mil habitantes, inferior aos 2,76 leitos na Grande Vitória.
A digitalização nos serviços de saúde é uma realidade crescente. Estudos apontam que 92% das instituições de saúde já utilizam sistemas eletrônicos, entretanto, apenas 37% operam exclusivamente de forma digital, e somente 23% dos profissionais receberam treinamento recente para manusear essas tecnologias. A presença de tecnologia não garante sua adoção efetiva; é necessário capacitar os colaboradores, reavaliar funções e redesenhar processos para que a inovação seja útil.
Profissionais da área defendem que a automação e ferramentas de inteligência artificial devem focar em tarefas repetitivas, organizando dados e auxiliando na identificação de riscos. O toque humano continua sendo fundamental para a interpretação do contexto e a prestação de cuidados aos pacientes.
Exímios em nossos serviços, a excelência no tratamento depende também da experiência do paciente. Especialistas argumentam que a percepção de qualidade vem de momentos como a facilidade no agendamento de consultas, clareza de instruções, cumprimento de horários e uma comunicação eficaz por parte dos profissionais.
A análise da segurança na saúde é um aspecto que deve ser antecipado. Uma gerente de qualidade apresentou como, entre 2022 e 2026, sua instituição mapeou mais de 200 riscos e realizou milhares de reuniões rápidas de segurança para discutir situações que exigem atenção. O resultado foi uma impressionante marca de 921 dias sem incidentes adversos significativos.
Por fim, a discussão sobre telemedicina mostrou que a consulta à distância não se resume a uma simples videochamada. O atendimento deve incluir protocolos rigorosos, segurança dos dados, além de estar acompanhado de profissionais preparados e equipamentos adequados para transmissão de informações clínicas.
A interação entre tecnologia e cuidado deve sempre preservar as conexões humanas, que são essenciais para dar sentido ao atendimento e o bem-estar dos pacientes.

