Capacete segue sendo negligenciado por motociclistas no Espírito Santo
O uso do capacete, um equipamento essencial para a segurança dos motociclistas, continua sendo desconsiderado por muitos condutores no Espírito Santo. Entre janeiro e agosto deste ano, foram contabilizadas 7.134 autuações por falta do capacete, indicando uma média próxima de 30 multas diariamente.
Esse número representa um aumento de 15% em comparação ao mesmo período de 2022, que totalizou 6.196 infrações. Os dados apresentados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) referem-se aos casos de condução de motocicletas, motonetas ou ciclomotores sem o uso de capacete ou viseira, além das infrações relacionadas a passageiros sem o equipamento de proteção.
Jederson Lobato, gerente de Fiscalização de Trânsito do Detran-ES, destacou que a falta de capacete é uma das práticas mais preocupantes devido à sua relação com lesões graves e mortes. Ele enfatizou que a ausência do capacete aumenta significativamente o risco de lesões fatais na cabeça. “Sem essa proteção, a chance de uma lesão craniana é imensa, o que pode resultar em fatalidade ou sequelas permanentes”, afirmou.
O crescimento nas infrações está ligado ao aumento da frota de motos no estado, especialmente fora da Grande Vitória, onde o não uso do capacete parece ser visto como uma prática comum. O Detran-ES está redobrando a atenção e ampliando as ações de fiscalização em municípios onde essa situação é mais frequente.
Além disso, o órgão estabeleceu um convênio com a Polícia Militar, com investimento de R$ 2 milhões para escalas extraordinárias de policiamento no trânsito. Operações integradas têm sido realizadas semanalmente em áreas com maior número de acidentes fatais.
O Detran-ES também passou a enfatizar a importância do uso correto do capacete. Um estudo da Polícia Científica mostrou que algumas tragédias ocorreram mesmo com motociclistas usando o equipamento, devido ao mau ajuste da cinta jugular, que acabou se soltando durante colisões, resultando em lesões fatais.
Jederson reforçou que o uso do capacete não é negociável e que a proteção deve ser utilizada em qualquer deslocamento, independente da distância.
O Detran-ES registrou que conduzir uma motocicleta, motoneta ou ciclomotor sem capacete é classificado como infração gravíssima, resultando em multa de R$ 293,47 e suspensão do direito de dirigir.
Da mesma forma, é considerada infração gravíssima conduzir um passageiro sem capacete, ou fora do assento adequado. Nesse caso, a multa também é de R$ 293,47 e o condutor ficará sujeito à suspensão do direito de dirigir. Se tanto o condutor quanto o passageiro estiverem sem capacete, o motorista será multado por ambas as infrações. Caso o condutor use o capacete, mas sem a viseira, a penalidade diminui para R$ 130,16.
A importância do capacete como principal equipamento de proteção para motociclistas é inegável. Segundo especialistas, sua função não é apenas evitar ferimentos superficiais, mas também alterar o impacto para proteger a cabeça em caso de acidentes.
Infelizmente, muitos motociclistas ainda acreditam que não ocorrerão acidentes, e práticas imprudentes, como não ajustar corretamente o capacete ou não utilizá-lo em áreas de menor risco, podem levar a consequências trágicas.
Conforme o levantamento, 71,7% da frota de motocicletas, motonetas e ciclomotores se encontra fora da Grande Vitória atualmente, e 44,5% das mortes no trânsito envolvem motociclistas. Somente neste ano, 335 pessoas perderam a vida pilotando motos.



