domingo, outubro 25, 2026
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639 milhões não compareceram no primeiro turno, mas podem votar hoje.

Maria de Lourdes Arrabal, uma professora aposentada de 74 anos, relembra a ansiedade que sentiu ao votar pela primeira vez. Com a experiência da ditadura em sua memória, ela afirma que o medo a acompanhou, já que naquela época os brasileiros não tinham a oportunidade de eleger diretamente o presidente. Essa vivência moldou sua perspectiva sobre a importância do voto, levando-a a se comprometer em não faltar às urnas.

No entanto, essa dedicação não é compartilhada por todos os eleitores. No Espírito Santo, um total de 639.248 pessoas não compareceu ao primeiro turno das eleições, mas têm a chance de votar no segundo turno, conforme informações da Justiça Eleitoral. Esse número quase dobra a diferença de 329.236 votos entre os candidatos mais votados nesse mesmo turno para o governo do estado.

Rosiane Marrochi, membro da Comissão de Mesários do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, explica que aqueles que faltaram ao primeiro turno podem participar do segundo, independentemente de ter justificado a ausência ou pago a respectiva multa.

Para os eleitores com voto facultativo, que incluem adolescentes entre 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais, cerca de 412.370 estão habilitados a votar, embora 46,11% desse grupo não compareceram no primeiro turno.

Maria reflete sobre sua juventude, afirmando que essa experiência de viver sob vigilância durante a ditadura a marcou. Ela recorda que, no início da democracia, havia apenas dois partidos. Quanto à sua participação nas eleições, afirma que, nas ocasiões em que não pôde votar, sentiu-se mal ao justificar a ausência. Seu marido, Antônio Miguel Arraba, de 84 anos, acredita que votar é um exercício de cidadania, expressando seu desejo de participar até onde puder.

O casal enfatiza a importância do voto para sua filha, Silvana Arraes, que por sua vez incentivou seu filho Gabriel Arraes, de 18 anos, a votar desde os 16. Silvana, aos 50 anos, lamenta a alta taxa de abstenção, salientando que votar é um dever cívico e que a participação no processo eleitoral é crucial para promover um Brasil melhor.

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