Mosteiro Zen lança residência coletiva que une criação artística e imersão na Mata Atlântica

Mosteiro Zen lança residência coletiva que une criação artística e imersão na Mata Atlântica

O Programa de Residências Artísticas 2025-2026 do Mosteiro Zen Morro da Vargem inaugura uma iniciativa  que aproxima arte contemporânea, espiritualidade e meio ambiente em plena Mata Atlântica capixaba. Entre as sete imersões criativas previstas, a residência coletiva, que acontecerá em dezembro de 2025, ocupa um lugar de destaque por reunir até quatro artistas selecionados por chamada pública, em diálogo direto com as curadoras Clara Sampaio e Juliana Gontijo.

Essa experiência será marcada pela convivência, pelo compartilhamento de práticas e pela criação coletiva em um ambiente singular de contemplação e silêncio, onde a floresta, o tempo e as tradições espirituais se entrelaçam como parte do processo artístico. Além da imersão no mosteiro, a residência contará com atividades abertas ao público em espaços culturais de referência, como a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a OÁ Galeria, ampliando a troca entre artistas, comunidade acadêmica e público em geral.

Entrevista com Clara Sampaio

  1. A residência coletiva prevê a participação de até quatro artistas: quais critérios específicos a curadoria utilizará para selecionar os projetos que melhor dialoguem com o tema “Sonhar Floresta”?

A seleção será feita com base nas respostas das inscrições e na análise de portfólios. Serão levados em consideração projetos cujas pesquisas dialoguem entre si e com as linhas do programa, que articulem reflexões sobre arte contemporânea, processos colaborativos e estar consciente. Buscamos propostas que tragam escutas sensíveis e abordagens poéticas ligadas aos territórios, à natureza e aos modos de existência coletiva, em sintonia com o tema “Sonhar Floresta”.

 

  1. Como será estruturada a convivência e o processo colaborativo entre os artistas durante os dias da residência coletiva, considerando o ambiente espiritual e natural do mosteiro?

A residência terá 12 dias de duração e será estruturada com atividades que incentivam a criação conjunta, a troca de saberes e a imersão no cotidiano do mosteiro. A metodologia envolve produção em ateliê, caminhadas pelo entorno, rodas de conversa, partilhas de processos e preparo coletivo das refeições: práticas que reforçam o convívio, o cuidado mútuo e o tempo desacelerado como parte do processo criativo.

 

  1. De que forma as atividades abertas ao público – como a apresentação na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e na OÁ Galeria – pretendem aproximar a comunidade acadêmica e o público em geral do processo criativo desenvolvido nas residências?

As atividades abertas buscam ampliar a visibilidade do programa e aproximar diferentes públicos das práticas artísticas desenvolvidas nas residências. Elas pretendem fortalecer os vínculos com a comunidade acadêmica, fomentando o intercâmbio cultural e o diálogo entre arte e pesquisa, além de criar espaços de escuta e partilha para que as/os artistas apresentem seus trabalhos e vivências durante a imersão.

 

  1. Que tipo de suporte técnico, conceitual e logístico será oferecido aos artistas selecionados

. Cada artista receberá apoio financeiro, com cachê de participação, ajuda de custos para alimentação e passagens, além do transporte de Vitória até o Mosteiro. O grupo também contará com acompanhamento curatorial durante todo o processo, oferecendo suporte técnico e conceitual para o desenvolvimento das propostas no contexto da residência.

 

  1. Qual é a expectativa em relação aos resultados da residência coletiva: espera-se a produção de obras finais, registros processuais ou a criação de experiências efêmeras que privilegiem o convívio e a troca entre artistas, público e natureza?

A residência é pensada como um espaço de convívio, experimentação e partilha. Não há expectativa de obras finais, mas as/os artistas terão liberdade para desenvolver trabalhos, propor ações ou dedicar-se à pesquisa. Os resultados serão construídos coletivamente, em diálogo com o grupo, o território e o tempo vivido ali, podendo assumir formas diversas, inclusive efêmeras, que privilegiem o encontro e a troca entre o grupo, os públicos e a paisagem.

 

Inscrições abertas até 30 de setembro, gratuitas.