O desenvolvimento de novas variedades de café arábica está criando mais alternativas para os produtores de café do Espírito Santo. Após um extenso período de pesquisas, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) identificou variedades adaptadas às condições locais, que apresentam resistência à ferrugem do cafeeiro e bom rendimento em lavouras orgânicas.
Os resultados foram obtidos a partir de estudos realizados ao longo de cinco safras em propriedades situadas em Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins, reconhecidos como dois importantes polos de cultivo de café arábica no estado. Durante esse período, a equipe de pesquisa monitorou o desempenho de diferentes variedades em sistemas orgânicos, documentando produtividades que variaram entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare.
Maurício Fornazier, pesquisador do Incaper e coordenador da pesquisa, afirmou que os dados obtidos demonstram que é viável a produção de café arábica orgânico com alta produtividade, quando se utilizam variedades adequadas às condições do Espírito Santo e um manejo apropriado.
Entre as variedades testadas, a IPR 103 se destacou, com potencial para alcançar aproximadamente 86 sacas por hectare na safra prevista para 2026.
Além das características das plantas, o estudo avaliou práticas de manejo utilizadas nas áreas experimentais, como o plantio adensado e a manutenção de cobertura vegetal no solo. Essas abordagens são essenciais para preservar a umidade do solo, mitigar a erosão e otimizar as condições para as lavouras.
As avaliações continuam em diferentes regiões produtivas do estado, com o objetivo de identificar quais variedades são mais adequadas a cada tipo de ambiente de cultivo. Esse esforço visa aumentar as opções disponíveis para cafeicultores capixabas, proporcionando recomendações mais específicas para cada região.
As pesquisas fazem parte do projeto denominado “Novas variedades de café arábica para o Espírito Santo”, promovido pelo Incaper. Uma nova unidade experimental foi inaugurada em Domingos Martins, onde os pesquisadores avaliarão o desempenho das variedades em altitudes superiores e investigarão como as condições climáticas influenciam a qualidade do café.



