A partir de agora, o tratamento do câncer de pâncreas, um dos tipos mais desafiadores na oncologia, receberá uma nova esperança com a aprovação do daraxonrasib pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. A medicação, que será comercializada sob o nome Rasonque, foi autorizada na quarta-feira, 26 de setembro, e constitui a primeira terapia direcionada capaz de atuar sobre a proteína RAS, crucial na formação desse tumor.
O anúncio ocorreu durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em junho em Chicago, onde a eficácia do estudo RASolute 302 foi aplaudida por médicos e pesquisadores. Os achados indicaram, durante a fase experimental, que o uso do fármaco pode reduzir o risco de mortalidade em até 60% entre os pacientes com câncer de pâncreas.
A proteína RAS é identificada como uma das principais impulsoras do crescimento tumoral, apresentando alterações em mais de 90% dos casos diagnosticados. A especialista Luana Pescuite relata que o daraxonrasib é uma terapia oral potente e multisseletiva que inibe a sinalização celular relacionada à proteína RAS, abrangendo tanto as variantes mutadas (G12, G13 e Q61) quanto as não mutadas, o que facilita um controle mais eficaz do tumor.
A oncologista Virgínia Sessa enfatiza que essa medicação é indicada especificamente para adultos com adenocarcinoma pancreático e demonstrou dobrar a expectativa de vida dos pacientes em relação ao tratamento convencional, que era de aproximadamente 13 meses.
Caroline Secatto, também oncologista, destaca que o daraxonrasib se torna essencial para pacientes em falha com a primeira linha de tratamento, oferecendo uma nova alternativa para o controle da doença. Segundo ela, essa nova abordagem proporciona um cenário de esperança, ao possibilitar o bloqueio da via que estimula o crescimento tumoral.
Entretanto, o progresso do medicamento em solo brasileiro poderá ser lento. Para ser comercializado no país, o daraxonrasib precisa ser avaliado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo de aprovação pode variar significativamente em tempo, podendo levar meses ou até anos.
Após a homologação da Anvisa, o medicamento deve ser incluído no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para ser coberto por planos de saúde. Nos EUA, o custo do tratamento para um mês gira em torno de 39,8 mil dólares, equivalente a cerca de R$ 220 mil.
O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais letais, apresentando uma taxa de sobrevivência estimada em 5 anos de apenas 5%. Muitos pacientes são diagnosticados em estágios avançados, e as opções de tratamento disponíveis frequentemente resultam em pouca eficácia. Com a nova medicação, espera-se que haja um avanço significativo no tratamento, que antes era limitado a quimioterapias tradicionais com baixa efetividade e alta toxicidade.
O daraxonrasib, ou Rasonque, está sendo desenvolvido para oferecer um novo meio de combater o câncer de pâncreas avançado, atuando diretamente na proteína RAS, elemento central no crescimento das células tumorais. A ferramenta promete uma abordagem multisseletiva, com resultados encorajadores nos estudos clínicos, que mostraram um aumento na sobrevida dos pacientes em cenários metastáticos.
Em resumo, a aprovação do daraxonrasib abre um novo caminho para a esperança no tratamento do câncer de pâncreas, mas a sua chegada ao Brasil pode levar tempo, demandando processos regulatórios e aprovações adicionais.

