Josh Wander, ex-proprietário da SAF do Vasco, se declarou culpado nesta quinta-feira, 15, por fraude eletrônica e por manipulação de valores mobiliários, em um esquema que causou prejuízos superiores a 500 milhões de dólares (aproximadamente R$ 2,5 bilhões) a credores e investidores da 777 Partners. A Procuradoria do Distrito Sul de Nova York confirmou a informação.
O empresário reconheceu que utilizou dados financeiros fraudulentos para garantir empréstimos e captar investimentos. Ele ofereceu como garantias ativos relacionados a acordos de indenização estruturada, que a 777 Partners não havia adquirido ou que já haviam sido comprometidos com outros credores.
Para encobrir essas práticas irregulares, Wander orientou seus colaboradores a falsificar extratos bancários e a criar simulações de saldos que a empresa não possuía.
Uma investigação revelou que os recursos captados de credores eram destinados ao financiamento de acordos de indenização estruturada, que era a atividade principal da 777 Partners. No entanto, a empresa redirecionou esses recursos para investimentos em outros setores, incluindo aviação e futebol, sem ter capital suficiente para suportar essas aquisições.
Wander desviou uma parte dos fundos para custos não autorizados, incluindo o financiamento de clubes esportivos. A companhia passou a controlar a SAF do Vasco em 2022.
Entre 2021 e 2022, o empresário arrecadou mais de 200 milhões de dólares com investidores, vendendo participações na 777 Partners e em uma empresa afiliada, apresentando dados falsos sobre a saúde financeira desses negócios.
Em março de 2022, ele ainda conseguiu um empréstimo de 20 milhões de dólares após apresentar vários extratos bancários falsificados. A investigação indicou que milhões de dólares foram utilizados em operações com opções financeiras.
O esquema começou a desmoronar em março de 2023, quando um dos credores levantou questões sobre a duplicidade das garantias apresentadas. Na ocasião, Wander justificou a irregularidade como uma falha no sistema da empresa, alegando que o problema foi acidental. Em 2024, ele deixou a posição de diretor-presidente da 777 Partners.
Como parte de um acordo judicial, Wander aceitou o confisco de pelo menos 500 milhões de dólares decorrentes do esquema. As acusações pelas quais ele se declarou culpado preveem uma pena máxima de 20 anos de prisão para cada um dos crimes, mas a sentença final ficará a cargo do juiz do caso, com audiência agendada para 1º de março de 2027, em Nova York.
Josh Wander e Steven Pasko, cofundadores da 777 Partners, deixaram seus cargos na empresa em maio de 2024. No mesmo mês, a Justiça do Rio de Janeiro afastou a firma do controle da SAF do Vasco.

