Uma análise realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com a participação de 7.617 brasileiros revelou uma relação entre padrões alimentares e o diagnóstico de depressão. Os resultados mostraram que indivíduos que consumiram em maior quantidade frutas, verduras, oleaginosas e grãos integrais apresentaram uma redução de cerca de 25% na probabilidade de relatar transtornos depressivos.
O estudo foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Ufes, sendo os dados coletados entre 2016 e 2022, abrangendo participantes de todas as cinco regiões do Brasil. Dentre os entrevistados, 67,9% eram do sexo feminino e 32,1% do sexo masculino; destes, 13,2% relataram ter recebido um diagnóstico de depressão. Os pesquisadores identificaram três padrões significativos de consumo de nutrientes.
O primeiro padrão identificado foi o da dieta prudente, rica em vitaminas, minerais e compostos bioativos. O segundo padrão, que incluía nutrientes de origem animal, apresentou uma conexão com uma maior probabilidade de diagnóstico de depressão entre os participantes eutróficos, ou seja, aqueles com peso considerado adequado.
Além disso, foi destacado o padrão anti-inflamatório, que englobou alimentos como abacate, castanhas, aveia, legumes e hortaliças. Os indivíduos que seguiram esse padrão alimentar demonstraram uma menor probabilidade de relatar depressão. Este padrão também foi associado a um maior consumo de gorduras saudáveis, como os ácidos graxos ômega-3, ômega-6 e gorduras monoinsaturadas, além de minerais como o selênio, que têm relação com o funcionamento adequado do sistema nervoso.
A pesquisa identificou um efeito protetor da alimentação também em mulheres, em pessoas com sobrepeso e em indivíduos sedentários. No entanto, é importante ressaltar que o estudo não estabelece uma relação causal direta entre dieta e prevenção da depressão, limitando-se a observar associações entre os padrões alimentares analisados e os diagnósticos relatados pelos participantes.
O mestre João Vitor Moraes-Santos conduziu a pesquisa sob a supervisão do professor José Luiz Marques-Rocha, do PPGNS da Ufes. Os resultados do trabalho foram publicados na Revista Internacional de Ciências Alimentares e Nutrição.



