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domingo, setembro 20, 2026
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Estratégias para Conectar Academia e Empresas no Espírito Santo

A articulação entre a academia e o setor empresarial é um desafio amplamente reconhecido e permanece um obstáculo destacado no Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo (PCTI-ES), divulgado em março de 2026 pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti). O intuito do plano é estabelecer a ciência, tecnologia e inovação como pilares essenciais para a transformação econômica, social e ambiental do estado.

Para atingir esse objetivo, o PCTI-ES delineou eixos estratégicos que abordam questões como a desconexão entre ciência e inovação. Essa problemática é evidenciada pela baixa participação de mestres e doutores em iniciativas de inovação tecnológica, especialmente em empresas de menor porte e em regiões fora dos grandes centros urbanos.

Mesmo antes da implementação do plano, já era notável a dificuldade que as instituições acadêmicas enfrentavam para aplicar seu conhecimento nas empresas, resultando em um aumento do descompasso entre o que é considerado o estado da arte em inovação e a realidade do mercado. Este termo, utilizado no meio acadêmico, refere-se às tecnologias, processos, modelos de negócios e soluções criativas mais avançadas disponíveis globalmente.

Ademais, a falta de conexão entre as empresas e as universidades não se deve à ausência de recursos, uma vez que existem linhas de financiamento tanto federais quanto estaduais para apoiar projetos dessa natureza, incluindo iniciativas como as da Fapes, Finep e Embrapii. Contudo, o PCTI-ES observa que o aproveitamento desses fundos pode ser ampliado, estabelecendo metas que visam dobrar a participação do Espírito Santo nas linhas de financiamento reembolsáveis do BNDES e da Finep entre 2030 e 2035.

O plano também se propõe a incentivar a criação de projetos e redes colaborativas de pesquisa e inovação, orientadas por temas e demandas estratégicas, promovendo a ligação entre as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) e as empresas. Um dos focos do PCTI-ES é a Transformação Digital, Empreendedorismo e Inovação, que visa promover a adoção de tecnologias emergentes, a inovação aberta e a digitalização nos setores-chave da economia capixaba, que incluem indústrias, agronegócio, saúde, TIC e turismo.

Assim, torna-se evidente que as empresas devem estar aptas a receber esses recursos; no entanto, a realidade demonstra que muitas delas carecem de uma estrutura capaz de promover este diálogo com as instituições acadêmicas e o setor público. Essa capacidade de intermediação tende a estar presente apenas nas grandes empresas nacionais, dentro de seus departamentos de inovação ou centros de P&D. Para as empresas de médio porte, manter essa estrutura pode ser oneroso e a demanda pode não justificar o investimento, tornando assim imprescindíveis as estruturas de apoio compartilhadas, como hubs ou serviços de consultoria terceirizados.

Essas iniciativas não apenas promovem a conexão, mas também minimizam os custos de transação entre entidades que falam línguas diferentes. Esse conceito é conhecido na literatura como a tríplice hélice, que envolve a interação entre empresas, academia e governo, mediada por quem tem entendimento dos interesses de cada parte. Essa intermediação não gera ineficiências; ao contrário, funciona como um complemento essencial entre o planejamento público e a execução privada.

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