Quase 8% das pessoas atendidas pela Rede Abraço no Espírito Santo neste ano buscaram apoio devido a problemas relacionados a apostas e jogos. Essa informação se refere a 250 capixabas que receberam atendimento entre janeiro e agosto de 2026 nos três Centros de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAADs) do estado.
No total, a Rede Abraço registrou 3.282 atendimentos relacionados a álcool, outras substâncias e jogos. Destes, 3.032, representando 92,38%, foram vinculados ao uso de álcool e outras drogas. O número específico de pessoas que solicitaram ajuda por problemas de apostas é considerado significativo, especialmente porque o atendimento direcionado a esses casos foi iniciado apenas no começo de 2026.
Além dos 250 casos acolhidos, foram contabilizados 653 atendimentos relacionados a jogos durante o mesmo período. Essa discrepância se deve ao fato de que uma única pessoa pode passar por diversas fases do acompanhamento, incluindo avaliação inicial, consultas médicas, atendimento psicológico e acompanhamento por assistentes sociais.
Entre as 250 pessoas atendidas, 174 eram do sexo masculino e 76 do feminino, com a maior concentração na faixa etária de 25 a 34 anos. A maioria possui o Ensino Médio completo e é registrada como sem renda. No que diz respeito à situação financeira, 66,92% dos atendidos tinham renda inferior ou igual a um salário mínimo, evidenciando que a questão econômica é um fator que motiva a busca por assistência, embora os problemas relacionados ao vício sejam mais amplos do que apenas o endividamento.
A psicóloga da Rede Abraço, Francielle Ribetti, enfatiza que, nos atendimentos, frequentemente se observam altos níveis de ansiedade, isolamento e sofrimento emocional associados à dependência em apostas. O atendimento é geralmente procurado em momentos de crise financeira severa, mas os impactos vão além das questões monetárias, atingindo as relações familiares, saúde mental e a rotina de trabalho das pessoas.
A Rede Abraço notou que a procura por atendimento varia ao longo dos meses. Estatísticas mensalmente mostram flutuações no número de atendimentos vinculados a jogos, sendo julho o mês com o maior registro, com 56 atendidos. Esse aumento pode estar ligado à maior exposição a apostas durante a Copa do Mundo, que coincide com um incremento nas campanhas publicitárias de plataformas de jogo.
O atendimento a pessoas com dependência de jogos é realizado por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir avaliações médicas e de enfermagem, além de suporte psicológico e social. O serviço também oferece orientação para familiares, considerando que a compulsão pode gerar conflitos, isolamento e endividamento, afetando aqueles que convivem com a pessoa dependente.
De acordo com Francielle, a abordagem da Rede Abraço foca em acolher os pacientes de maneira não julgativa, ajudando-os a retomar sua autonomia, reconhecer os gatilhos emocionais que propõem o vício e desenvolver estratégias para reconstruir seus projetos de vida.
O coordenador do Programa Rede Abraço, Carlos Lopes, destaca que a crescente demanda reflete uma mudança nos padrões de procura pelos serviços. Ele acredita que a compulsão por jogos possui características semelhantes às dependências químicas, onde a busca por ajuda frequentemente inicia a partir de problemas financeiros, mas o verdadeiro objetivo é tratar as emoções subjacentes ao vício.
O atendimento na Rede Abraço é gratuito e não requer encaminhamento ou agendamento. Os Centros de Acolhimento estão abertos de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Os endereços dos CAADs são: CAAD Vitória – Rua Treze de Maio, 47, Centro; CAAD Cachoeiro de Itapemirim – Rua Dr. Raulino de Oliveira, 56, Centro; e CAAD Linhares – Avenida Hans Schmoger, 333, bairro Conceição. Telefones de contato estão disponíveis para qualquer pessoa que precise de atendimento.



