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quarta-feira, setembro 23, 2026
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Desemprego e inflação afetam a popularidade de Kast no Chile

José Antonio Kast, presidente do Chile, chegou ao Palácio de La Moneda há seis meses com a promessa de implementar um “governo de emergência”. No entanto, após o primeiro semestre, a situação de emergência foi reformulada. Kast foi eleito com a proposta de enfrentar a criminalidade, a imigração irregular e a economia estagnada. Contudo, questões econômicas começaram a ameaçar sua administração, com o desemprego atingindo 9,5% — o maior índice em cinco anos — e a inflação anual em 4,1%. O Banco Central do Chile, por sua vez, ajustou suas previsões de crescimento para uma faixa entre 0,25% e 0,75%. O próprio presidente já reconheceu que o país enfrenta um “período de crise”.

Um dos fatores que impactou severamente a percepção pública foi o aumento no preço da gasolina, um fenômeno chamado de “bencinazo”, que exigiu que o governo repassasse parte do custo aos consumidores para manter as finanças públicas. Essa medida foi considerada um duro golpe na popularidade de Kast.

Recentemente, uma pesquisa revelou que apenas 35% da população aprova seu governo, enquanto 61% desaprovam. Para 62% dos consultados, a administração de Kast foi pior do que o esperado, e apenas 8% afirmam que foi melhor. O “bencinazo” foi apontado como um dos principais erros, segundo 38% dos entrevistados.

O mais notável não é apenas o desapego do público à segurança, tema que sustentou sua eleição, mas a nova demanda por atenção do governo para questões econômicas. Hoje, 79% dos chilenos indicam que a economia e o emprego são as prioridades que o governo deve focar, enquanto 33% mencionam segurança, criminalidade e narcotráfico.

Essa mudança nos interesses dos eleitores é significativa para um presidente que assumiu o cargo respaldado por promessas de segurança e imigração. Antes de tomar posse, Kast participou de uma cúpula em Miami, onde se discutiram políticas contra o crime organizado ao lado de líderes da direita da região. No entanto, em seis meses, as preocupações dos chilenos se deslocaram para tópicos mais cotidianos: emprego, salário e custo de vida.

A administração defende que os problemas que enfrentou eram de longa data e não poderiam ser resolvidos em um semestres. Kast destaca a necessidade de ajustes e investimentos para estabelecer um caminho à recuperação. A contenção fiscal é, segundo a própria pesquisa, um ponto positivo da gestão.

Seis meses de governo são um período curto para avaliar um mandato de quatro anos. O Chile, apesar da atual crise, continua a ser uma das democracias e economias mais estáveis da América Latina.

Kast faz parte de um grupo de políticos de direita na região que chegaram ao poder prometendo segurança e uma ruptura com administrações passadas. O início de seu governo mostra que uma eleição pode ser vencida com foco em questões como criminalidade e imigração, mas a população pode rapidamente mudar suas expectativas.

Agora, para manter-se no poder, Kast deve demonstrar que é capaz de enfrentar uma questão atemporal na política latino-americana: o temor da população em perder seu emprego ou a dificuldade de arcar com suas contas.

Na Venezuela, a jornalista Luz Mely Reyes, diretora do “Efecto Cocuyo”, conseguiu acessar, pela primeira vez em anos, o site de seu veículo sem a necessidade de usar uma VPN, após a suspensão do bloqueio a 17 sites de notícias pelo regime de Delcy Rodríguez. Apesar da boa notícia, ainda permanecem 188 sites bloqueados, incluindo 79 dedicados a notícias.

A situação na Bolívia também é tensa, com policiais reprimindo protestos em La Paz contra as políticas de ajuste e a prorrogação do estado de emergência, convocada pelo presidente Rodrigo Paz.

Em um tributo à história do cinema político latino-americano, Patricio Guzmán, cineasta chileno, faleceu aos 85 anos. Ele foi o criador da trilogia “A Batalha do Chile”, que documentou a crescente tensão sob o governo de Salvador Allende e o golpe de 11 de setembro. Um legado que será exibido em cópias restauradas na 50ª Mostra de São Paulo.

Por fim, uma série documental explora o assassinato de Luis Donaldo Colosio, candidato à presidência do México, assassinado em 1994. A investigação leva à pergunta central: ele agiu sozinho ou havia um complô em sua morte? A série traz novas pistas e personagens, mas não resolve o mistério que ainda assombra o país.

Além disso, uma nova obra, “Cortázar por ele mesmo”, compila longas entrevistas do autor argentino Julio Cortázar, oferecendo uma perspectiva pessoal sobre sua vida e obra. As conversas proporcionam uma oportunidade única para revisitá-lo e entender mais sobre suas ideias e influências na literatura.

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