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sexta-feira, setembro 25, 2026
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Habitantes de Gaza buscam refúgio em prédios com perigo de desabamento

Na Cidade de Gaza, Heba Arafat, de 47 anos, avança pelo piso desnivelado de seu apartamento, que ficou perigosamente inclinado devido aos ataques israelenses que arruinaram as fundações do edifício.

Como muitos outros residentes da Faixa de Gaza, ela optou por retornar a uma casa que havia sofrido danos durante o conflito entre Israel e o Hamas, que devastou a região com intensos bombardeios.

“Não temos alternativas a não ser viver aqui; não temos para onde ir. Todas as casas foram destruídas, a terra foi devastada, nada nos resta”, desabafa Arafat.

Ela deixou a área com o marido e suas seis filhas no auge da guerra, que começou em outubro de 2023, após um ataque sem precedentes do Hamas contra Israel.

Heba voltou após o cessar-fogo de outubro de 2025, que, apesar de reduzir a intensidade dos bombardeios israelenses, não pôs fim totalmente aos conflitos. Ao retornar, encontrou a parte inferior do prédio de quatro andares, onde residem atualmente 30 pessoas, em ruínas. Ela relata que o colapso ocorreu durante uma operação militar terrestre israelense.

As explosões também quebraram janelas, afetando a maioria dos edifícios na área. Para garantir privacidade, os moradores improvisaram cobrindo as janelas com lençóis.

Dados da ONU indicam que até outubro de 2025, 84% da infraestrutura da Faixa de Gaza estava destruída ou danificada. A Defesa Civil da região, sob controle do Hamas, estima que aproximadamente 2.000 prédios estão em risco de desabamento.

Recentemente, 21 pessoas, das quais 12 eram crianças, perderam a vida em Gaza após o colapso de um prédio de seis andares. As autoridades afirmam que o edifício foi alvo de bombardeios em diversas ocasiões durante o conflito, uma afirmação que Israel nega.

“Estamos aterrorizados desde que soubemos dos desabamentos. O perigo é maior do que pensávamos”, expressa Arafat, em um momento de preocupação. “Mas para onde podemos ir? Temos receio de que uma parede ou um telhado caia sobre nós, e assim nos encolhemos ainda mais.”

As autoridades da Cidade de Gaza iniciaram patrulhas nas ruas para identificar e documentar edifícios em risco de colapso.

“Esses prédios representam um risco real à vida de quem reside neles, bem como aos moradores das áreas vizinhas e às pessoas em campos de deslocados”, afirma Hosni Muhanna, porta-voz da Prefeitura.

No entanto, “milhares de deslocados são forçados a se abrigar nessas estruturas em risco”, admite Muhanna. Muitas dessas pessoas buscam escapar das condições insalubres dos campos, que não oferecem proteção adequada contra o calor ou o frio.

Grandes acampamentos foram estabelecidos em Gaza para abrigar a maior parte da população deslocada, mas as condições de vida são extremamente precárias, especialmente em termos de higiene.

A paralisia da atividade econômica na região fez com que muitos moradores dependessem da ajuda humanitária, que enfrenta diversas restrições impostas pelas autoridades israelenses.

Diversas medidas incluem a proibição da entrada de equipamentos necessários para a reconstrução, sob a justificativa de que esses materiais poderiam ser desviados para usos militares. Isso abrange máquinas de construção, fundamentais para a remoção de escombros, assim como peças de reposição e lubrificantes necessários para seu funcionamento, conforme ressaltou Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU.

Com as conversações sobre um plano de paz estagnadas há meses, as iniciativas de reconstrução ainda não foram iniciadas.

As demandas são imensas. Um estudo conjunto publicado em abril pelos organismos internacionais sugere que a reestruturação da região exigirá mais de US$ 69 bilhões ao longo dos próximos dez anos.

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