quinta-feira, outubro 22, 2026
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Boeing ganha disputa e produzirá mais um caça de 6ª geração nos EUA

A Boeing conquistou a disputa para fornecer o novo caça de sexta geração da Marinha dos Estados Unidos, um feito alcançado um ano e meio após a empresa ter sido selecionada para um contrato semelhante com a Força Aérea americana.

O anúncio foi realizado pelo Pentágono na noite de terça-feira, 29. Assim como o contrato anterior, o valor do acordo é estimado em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 104 bilhões na cotação atual) e prevê que o primeiro voo do novo caça ocorra ainda nesta década, com entrada em serviço prevista para a próxima, e um cronograma de implementação até os anos 2040.

Para a Boeing, que enfrenta diversas crises na sua unidade de aviação comercial, essa é uma notícia significativa. O presidente Donald Trump, que tem trabalhado para incluir a venda de aeronaves comerciais da Boeing em suas negociações e disputas comerciais, agora reforça a posição da fabricante.

Contudo, há incertezas no mercado sobre as capacidades industriais da Boeing. Problemas têm afetado contratos de sua divisão de defesa: a entrega do novo Air Force One foi adiada de 2024 para 2028, e o avião de reabastecimento KC-46 Pegasus enfrenta dificuldades técnicas que já custaram à empresa US$ 8 bilhões.

Em um comunicado restrito, devido à confidencialidade do contrato, a Boeing comemorou a renovação da parceria. O nome do novo caça ainda não foi definido. O modelo da Força Aérea, conhecido como F-47, faz referência a Trump, que é o 47º presidente americano.

A licitação foi denominada F/A-XX, refletindo o objetivo de desenvolver um caça (F para fighter, em inglês) com capacidades ofensivas (A para attack, em português). Os dois X representam a nova família de aeronaves. A Northrop Grumman foi derrotada na competição, e a Lockheed Martin já havia sido desqualificada no ano anterior.

O projeto quase não foi adiante. No ano passado, ao apresentar o primeiro orçamento militar de seu mandato ao Congresso, Trump praticamente adiou o projeto, alocando todos os recursos para o F-47. No entanto, após pressão bipartidária, a Marinha conseguiu reiniciar o F/A-XX neste ano. Tradicionalmente, cada nova geração de caças nos EUA possui um modelo naval e outro para a Força Aérea.

O F-35, que começou seus voos na década passada, alterou essa lógica, gerando variantes distintas para a Marinha, Fuzileiros Navais e Força Aérea. Atualmente, a Boeing possui dois modelos ativos nas forças armadas americanas: o F/A-18 Super Hornet, utilizado pela Marinha, e variantes do F-15 Eagle, da Força Aérea. Entretanto, nenhum deles foi projetado pela Boeing; ambos foram herdados da McDonnell Douglas, incorporada pela Boeing em 1997.

A fabricante desenvolveu um modelo que perdeu a disputa da quinta geração para o F-35 e agora assume a responsabilidade pela próxima fase do projeto sob desconfiança do mercado. Um fator positivo para a Boeing é a expectativa de que o F/A-XX seja semelhante ao F-47, que já possui protótipos em fase de testes.

Essa abordagem pode proporcionar uma maior padronização de componentes e logística, o que é crucial para o sucesso do projeto. Contudo, ainda não há previsão sobre a disponibilidade desses novos caças para os aliados — diferentemente do F-35, que é uma iniciativa multinacional, o F-22 da quinta geração nunca foi exportado.

De modo geral, a sexta geração de caças incorpora tecnologia de furtividade e aprimora a fusão de dados da quinta geração, cujo representante mais comum é o F-35. Um dos pontos principais dessa nova designação é a possibilidade de operar drones autônomos controlados por inteligência artificial, além de motores mais eficientes.

O uso do termo “geração” para categorizar caças pode ser considerado arbitrário, uma vez que as capacidades de modelos atualizados frequentemente os colocam em paridade com aeronaves mais novas. Por exemplo, os caças suecos Gripen E/F, adquiridos pelo Brasil, são vistos como estando no auge da quarta geração, mas estão sendo testados para operar drones e utilizar inteligência artificial, características da sexta geração, além de integrar capacidades da quinta, exceto a capacidade de evitar radares.

À medida que o F-35 continua sendo incorporado às frotas, é provável que ocorra uma interligação nas operações do F-35, do F/A-18 e do futuro caça de sexta geração na Marinha, o que deve se repetir na Força Aérea. Como toda nova armamento naval, o foco é a capacidade de operar em longas distâncias no Pacífico, onde a principal rivalidade geopolítica é com a China. Pequim já possui um programa de caças de sexta geração mais avançado do que os EUA, com pelo menos dois modelos diferentes em testes.

O projeto conjunto de um caça franco-germânico foi cancelado neste ano, enquanto um modelo colaborativo entre Reino Unido, Itália e Japão está em desenvolvimento. Nos EUA, a vantagem continua no setor de bombardeiros, com o novo B-21 Raider já em fase de testes de voo.

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