O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou uma queda de 0,9 ponto em setembro de 2026, embora se mantenha em um nível elevado, marcando 110,8 pontos. A média móvel trimestral também apresentou leve redução de 0,2 ponto, totalizando 110,6 pontos.
Esse índice é formado por dois principais componentes. O pilar de Mídia analisa a frequência de notícias relacionadas a incertezas, enquanto o pilar de Expectativa baseia-se na dispersão das previsões dos analistas do relatório Focus sobre inflação, taxa de câmbio e juros.
O economista Stefano Pacini observou que a diminuição em setembro foi um fenômeno pontual, impulsionado principalmente pelo componente de Expectativas, em um contexto em que os analistas têm revisado para baixo suas previsões de inflação. Ele ressalta que essa queda é pontual e não necessariamente representa uma tendência de diminuição da incerteza no cenário econômico.
Até o final de setembro, as estimativas do mercado para o IPCA de 2026 apresentaram uma sua redução, acumulando três semanas consecutivas de queda e alcançando 4,9%. As taxas de câmbio e de Selic se mantiveram estáveis em R$ 5,20 e 13,75%, respectivamente. Na atualização mais recente, a projeção da inflação foi ajustada para 4,99%, com a previsão de crescimento do PIB diminuindo para 1,86%.
Pacini também destacou a diminuição da dispersão nas avaliações de mercado, o que beneficiou o indicador. Isso sugere que as expectativas em relação à inflação estão se consolidando de maneira mais uniforme, o que implica a redução da incerteza em torno desses parâmetros econômicos.
Entretanto, o componente de Mídia continua a manter o indicador em níveis elevados. O debate atual é fortemente influenciado pelo ambiente eleitoral polarizado e pelas instabilidades institucionais. Pacini apontou que a maioria das palavras mais frequentemente mencionadas na mídia está ligada a questões institucionais e à instabilidade econômica.
A expectativa é que a incerteza permaneça oscilando em torno da marca de 110 pontos, dadas as inquietações internas, como os possíveis efeitos inflacionários do fenômeno El Niño e a necessidade de controle dos gastos públicos. Além disso, fatores externos trazem volatilidade ao Brasil, incluindo conflitos no Oriente Médio e as tensões tarifárias, bem como declarações do candidato norte-americano Donald Trump sobre a economia brasileira.
Apesar da tendência de aumento na instabilidade política e midiática, a finalização do ciclo eleitoral poderá proporcionar alívio a médio prazo. Com a eleição de um novo presidente, será mais evidente quais serão as decisões iniciais e a direção econômica a ser seguida, o que pode resultar na diminuição das incertezas.
No quadro abaixo estão alguns dos dados mensais do Indicador IIE-Br:
| Mês/Ano | Indicador IIE-Br | Componente Mídia | Componente Expectativa |
|———|——————|——————|———————–|
| jan./26 | 117,1 | 122,5 | 88,4 |
| fev./26 | 105,8 | 109,1 | 108,4 |
| mar./26 | 115 | 117,2 | 99,6 |
| abr./26 | 117,2 | 118,3 | 105,9 |
| mai./26 | 110,9 | 109,8 | 110,8 |
| jun./26 | 111,3 | 109,3 | 114,5 |
| jul./26 | 109,4 | 108,8 | 107,7 |
| ago./26 | 111,7 | 111,6 | 106,9 |
| set./26 | 110,8 | 111,6 | 103,2 |



