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domingo, outubro 4, 2026
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O setor de biocombustíveis pode transformar o Brasil na “Opep da energia renovável”?

Em um cenário global marcado pela insegurança energética – evidenciada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelo choque do petróleo – o Brasil tem a oportunidade de se destacar no desenvolvimento da bionergia. A crescente demanda por energia, impulsionada pela projeção de que a população mundial possa chegar a 10 bilhões de pessoas até 2050, torna essencial que o país não apenas assegure sua soberania energética, mas também aspire a ser um protagonista na transição energética global.

Arnaldo Jardim, deputado do Cidadania-SP e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, mencionou que, até o momento, R$ 289 bilhões em investimentos foram registrados sob a Lei do Combustível do Futuro, o novo marco regulatório que rege esse setor. Durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética” no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado em São Paulo, Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, se referiu ao Brasil como a “Opep da energia verde”, em virtude do grande potencial do país.

Hammerschmidt ressaltou a importância de tratar o biocombustível nacional como “uma política de Estado”, enfatizando que o Brasil deve garantir a soberania da sua matriz energética e minimizar a dependência de produtos importados. Ele sugeriu que a crise atual nos combustíveis internacionais é uma oportunidade para antecipar a mistura de 20% de biodiesel no diesel, inicialmente prevista para 2030, destacando que algumas regiões do país já enfrentam escassez de diesel.

O vice-presidente do Grupo Potencial mencionou que as 60 indústrias de biodiesel no Brasil possuem uma capacidade instalada de 17 bilhões de litros e uma produção de 10 bilhões de litros, resultando em um excedente de 7 bilhões de litros. Ele ainda alertou sobre a previsão de que a escassez de diesel perdure, em parte devido à destruição de infraestrutura de refino na Rússia, afetada pelas consequências da guerra. Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, também abordou as possíveis proibições de exportação de combustíveis pelos Estados Unidos.

Durante o debate, os especialistas reforçaram que a transição energética não deve ser vista como uma mera troca de combustíveis fósseis por renováveis, mas sim como um aumento na combinação de fontes de energia. Mário Campos, presidente Executivo da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia), destacou que essa transição abre portas para os biocombustíveis e que o mercado interno deve ser encarado com uma visão mais ampla.

Campos apontou ainda que existem oportunidades promissoras, como a produção de Combustível de Aviação Sustentável (SAF) e a substituição de combustíveis marítimos por derivados de etanol. Ele mencionou o potencial do biometano no transporte terrestre e enfatizou que um terço da matriz energética brasileira está ligado à bioenergia, ressaltando que o Brasil pode se desvincular da dependência da China na transição energética, visto que este país já se tornou uma referência global nessa área.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), acrescentou que o mundo está vivenciando uma evolução energética e que o setor de petróleo desempenha um papel crucial nesse processo, citando a tecnologia da Petrobras que reinjeta CO2 após a extração de óleo e gás. Desde a descoberta do pré-sal em 2006, a estatal evitou a liberação de 88 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Ardenghy defendeu que o Brasil deve olhar para sua vocação como produtora de alimentos e energia, reforçando a necessidade de focar na competitividade e perseguir a qualidade em todos os aspectos da produção.

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