O resultado das recentíssimas eleições resultou na aposentadoria de figuras conhecidas da política brasileira, com mudanças significativas entre representantes de diversas linhagens políticas, do Centro até a extrema esquerda, englobando personalidades que foram centrais na polarização entre PT e PSDB, que dominou a democracia nacional até a ascensão de Jair Bolsonaro.
Essa rejeição impactou até mesmo novos nomes que se aproveitaram do movimento antiestablishment, como no caso do deputado federal Tiririca. Com sua trajetória de sucesso nas eleições de 2010 e 2014, em que conquistou mais de 1 milhão de votos em São Paulo, o humorista não conseguiu se reeleger após transferir seu domicílio eleitoral para o Ceará. Nas votações que ocorreram no último domingo (4), ele obteve somente 5.536 votos ao trocar o PL pelo PSD.
O PSDB, por sua vez, enfrenta uma série de derrotas que o afastam cada vez mais do período em que predominava a política nacional, especialmente com vitórias presidenciais sobre o PT na década de 1990. Ciro Gomes, que retornou ao partido em outubro de 2025, foi escolhido para concorrer ao governo do Ceará em 2026, após sua candidatura presidencial pelo PDT em eleições anteriores. Apesar do apoio da direita local contra a reeleição do petista Elmano de Freitas, Ciro não conseguiu vencer a disputa, alcançando 46,22% dos votos válidos, mas perdendo no primeiro turno.
O ex-governador Marconi Perillo, também do PSDB, tentou retomar o governo de Goiás, mas sua performance foi insatisfatória, obtendo apenas 315.676 votos, o que representa 8,69% dos válidos. Aécio Neves, outro nome forte que foi candidato à presidência em 2014, disputou uma vaga no Senado por Minas Gerais e terminou a corrida com 836.595 votos, equivalentes a 4% dos votos válidos, sem conseguir retornar ao Senado.
No Paraná, Beto Richa, também do PSDB, tentou a reeleição para a Câmara dos Deputados, mas obteve apenas 58.946 votos, insuficientes para garantir sua permanência no Congresso.
Em meio a essas mudanças, o PT enfrentou dificuldades para renovar seus quadros, tanto nas esferas estaduais quanto na nacional, lançando nomes históricos para as disputas de destaque. Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte e responsável pela implementação do programa Fome Zero, foi o candidato do partido ao governo de Minas Gerais. Apesar de sua trajetória, ele conquistou a segunda colocação, recebendo mais de 3 milhões de votos (26,34% dos válidos), mas não foi suficiente para derrotar Cleitinho Azevedo, eleito governador.
No Rio de Janeiro, a ex-governadora Benedita da Silva foi lançada ao Senado pelo PT, porém, apesar de receber 3.220.765 votos (20,22% dos válidos), não conseguiu superar a dupla do PL, que elegeu Carlos Jordy e Carlos Portinho.
Em São Paulo, José Dirceu, um dos grandes nomes da história do PT, concorreu novamente à Câmara dos Deputados após ser envolvido em escândalos como o mensalão e tendo suas condenações anuladas. Contudo, Dirceu não obteve sucesso na eleição, recebendo apenas 78.450 votos.
Destacando-se entre os derrotados, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi o único investigado em conexão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a ser punido pelas urnas, ao terminar na terceira posição em sua tentativa de reeleição, com 904.961 votos (24,68% dos válidos). Ele foi alvo da operação Compliance Zero, que investigava supostas “mesadas” de Vorcaro.
Outros senadores, como Esperidião Amin (PP-SC), também não conseguiram a reeleição, com o PL de Santa Catarina escolhendo candidatos diferentes, e Renan Calheiros (MDB-AL) perdeu a vaga após mais de 30 anos de mandato, sendo superado por Arthur Lira e Marina JHC, ex-primeira-dama de Maceió, que também venceu a corrida pelo governo de Alagoas.

