Laydiane Lacerda da Silva, de 33 anos, estava grávida de 18 semanas quando foi encontrada morta em sua residência em Cristal do Norte, município localizado no Norte do Espírito Santo. O esposo dela, Rafael Alves, de 29 anos, foi preso em flagrante sob a acusação de feminicídio, de acordo com a Lei Maria da Penha, configurando o 30º caso de feminicídio registrado no estado em 2023.
A Polícia Militar informou que a vítima foi descoberta no quarto da casa e apresentava ferimentos na região do pescoço. Havia vestígios de sangue no banheiro e uma calça com manchas de sangue, além de um canivete encontrado em um coldre preso à roupa.
Rafael alegou aos policiais que havia saído para trabalhar pela manhã e, ao retornar, encontrou Laydiane sem vida. Após a prisão em flagrante, ele foi levado para o sistema prisional.
De acordo com a irmã de Laydiane, a mulher tinha baixa visão, sequelas motoras e alguma deficiência intelectual resultantes de uma lesão cerebral devido à toxoplasmose contraída durante a gestação. Laydiane era a segunda de quatro irmãs e era bem conhecida na região.
Segundo a familiar, a gravidez era planejada pela vítima. Laydiane já havia sofrido um aborto há cerca de dois anos e estava sob acompanhamento médico para engravidar novamente, esperando um menino que se chamaria Santiago.
O casal estava junto há aproximadamente cinco anos. A família nunca presenciou episódios de violência entre eles e expressou ceticismo quanto à culpabilidade de Rafael no crime. Na noite anterior ao ocorrido, eles participaram de um evento com familiares e, conforme relatos, estavam em bom estado.
Rafael teria contado a familiares sobre a descoberta do corpo, afirmando que encontrou Laydiane já sem vida, com o corpo frio. A família aguarda os resultados das análises periciais. Conforme a irmã, materiais das unhas e das partes íntimas de Laydiane foram coletados para exames, enquanto o celular da mulher foi entregue às autoridades.
A irmã mencionou que Rafael poderia ter se sujado de sangue ao tocar no corpo da esposa, e esclareceu que o canivete encontrado no local era utilizado por ele em seu trabalho na roça. O pai e duas irmãs de Laydiane já prestaram depoimento às autoridades.
A família levanta a possibilidade de que outra pessoa tenha entrado na residência, que estava com a porta aberta, porém essa teoria não foi corroborada pela polícia. Vizinhos, segundo a irmã, afirmaram não ter ouvido ou visto nada no momento do incidente.
A Polícia Civil relatou que o suspeito foi conduzido à Delegacia Regional de São Mateus, onde foi autuado em flagrante por feminicídio conforme a Lei Maria da Penha e levado ao presídio.

