Durante a última semana, os apoiadores de Flávio Bolsonaro e Lula analisavam que o vencedor do debate poderia ser definido pela capacidade de controle emocional. Flávio demonstrou serenidade, mas suas provocações excessivas acabaram por conferir-lhe uma imagem de arrogância, tornando incerta a avaliação sobre os efeitos disso em sua performance.
Lula, por outro lado, apresentou um desequilíbrio emocional logo no início do debate. O candidato do PT evidenciou desconforto relacionado ao enquadramento das câmeras, à articulação de suas respostas e ao gerenciamento do tempo. Em um momento de irritação, chamou seu oponente de “palhaço” e o considerou um “malandro carioca”, reações que foram vistas de maneira negativa pelo público em geral.
Com ampla experiência em debates, tendo participado de sete eleições presidenciais, Lula gerou grande expectativa entre seus aliados. A avaliação interna indicava que ele deveria “engolir” Flávio, algo que não se concretizou. Inversamente, a postura de Lula refletiu uma característica frequentemente criticada por seus próprios apoiadores: a dificuldade em lidar com contrariedades. Aliados mencionam que há complexidade em relatar problemas ao presidente na atual gestão.
O embate, que inicialmente prometia ser mais manso e voltado para propostas futuras, rapidamente se deteriorou em um confronto recheado de ofensas, em detrimento de discussões que poderiam beneficiar os eleitores. Ambos os candidatos apresentaram poucas iniciativas concretas para consideração do público.
Flávio Bolsonaro teve um desempenho superior em temas tradicionais de sua legenda, como segurança pública, conseguindo ainda colocar Lula em uma posição defensiva ao questionar sobre a saída temporária de presos. O senador trabalhou bem a sua retórica em relação ao impacto do custo de vida no cotidiano do trabalhador.
Entretanto, Flávio também se esquivou de diversas perguntas, o que Lula aproveitou para criticar a falta de respostas do adversário. O candidato petista teve um desempenho favorável ao discutir a área da saúde, ocasião em que forçou Flávio a reconhecer falhas na administração de seu pai, Jair Bolsonaro, nesse setor.
Lula utilizou a proposta de abrir sigilos como uma estratégia de marketing, uma prática comum em campanhas eleitorais. A falta de uma resposta clara de Flávio sobre este assunto gerou um momento constrangedor para o senador.
Um ponto claro do confronto é que a equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro, dirigida pelo marqueteiro Duda Lima, se destacou em relação ao time de Lula, sob a liderança de Sidônio Palmeira.

