quinta-feira, outubro 22, 2026
InícioNotícias"Sim, candidatos rivais podem ser amigos!", afirma psiquiatra.

“Sim, candidatos rivais podem ser amigos!”, afirma psiquiatra.

Em meio à polarização política, é possível encontrar laços de amizade mesmo entre eleitores que apoiam candidatos diferentes. Os advogados Sérgio Araújo Nielsen, 43 anos, e Ricardo Barbosa Mendonça, 42, colegas de longa data, demonstram que é viável manter a cordialidade e o respeito, apesar de suas divergências ideológicas, cultivando uma amizade que perdura por 14 anos.

Os dois profissionais compartilham que debates políticos costumam ser um ponto comum em suas interações, mas que, acima de tudo, o respeito é o que mantém a relação. “Discutimos nossas visões, mas sempre terminamos nos entendendo. Nossos pontos de vista são firmes, mas seguimos amigos”, explica Sérgio.

Ambos concordam que a verdadeira amizade não depende da uniformidade de pensamento, mas da capacidade de respeitar as escolhas um do outro. “A democracia é feita de diferenças, e a amizade deve sobreviver a elas”, ressalta Ricardo.

A médica psiquiatra Letícia Mameri enfatiza que pessoas com visões políticas opostas podem ser boas amigas. Ela relata ter conhecimento de casos em que indivíduos mantêm laços de respeito mesmo diante das diferenças eleitorais. “Amizades são construídas com confiança e vivências compartilhadas, e isso permite que as discordâncias sejam parte de um diálogo saudável”, afirma Mameri.

A especialista alerta para o fenômeno da “polarização afetiva”, onde o desentendimento se estende das ideias aos indivíduos. Mameri recomenda que a convivência deve ser pautada pelo respeito mútuo e sugere algumas atitudes que podem facilitar esse processo:

– Ouvir sem transformar cada conversa em uma competição.
– Buscar compreender as motivações do outro.
– Interromper discussões que se tornem hostis.

No entanto, ela adverte que não se deve tolerar desrespeitos, discriminação ou ameaças em nome da manutenção de uma amizade. As diferenças políticas podem impactar relações e merecem ser tratadas com seriedade.

Após o primeiro turno das eleições, a expectativa de muitos eleitores foi substituída por frustração e reações intensas nas redes sociais. O desânimo refletiu-se em sentimentos de indignação e ansiedade, levando internautas a utilizarem a expressão “psicose política” para descrever a intensa ligação emocional que desenvolvem pelo resultado eleitoral.

Letícia Mameri observa, porém, que o termo psicose política não corresponde a um diagnóstico médico reconhecido. Ela destaca que sentimentos como irritação ou preocupação em relação a questões políticas não são indicadores de um distúrbio sério. “Usar tais termos de forma leviana pode reforçar estigmas contra pessoas com doenças mentais”, alerta.

O terapeuta familiar e psicopedagogo clínico Cláudio Miranda também sugere que, para evitar a ansiedade gerada por resultados eleitorais, é aconselhável limitar o tempo gasto em redes sociais. Ele orienta que, se os sentimentos se tornarem insuportáveis, é importante buscar apoio profissional.

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDOS

Comentarios Recentes