quarta-feira, outubro 28, 2026
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Além da rivalidade em campo, Pelé e Maradona simbolizam diferentes paixões dos torcedores.

Argentinos realizam uma grande manifestação e inundam as ruas, praias e parques de Miami, celebrando sua cultura e paixão pelo futebol.

As figuras centrais de uma rivalidade de longa data, Pelé e Maradona, são alvo de idolatria distinta por parte de seus fãs. Essa veneração se reflete, não apenas nos feitos em campo, mas também nas tradições das cidades que os acolheram.

Pelé, natural de Três Corações, Minas Gerais, se destacou em Santos, onde construiu sua trajetória tanto como atleta quanto como pessoa, levando o clube ao auge do futebol. No entanto, segundo um antropólogo de São Paulo, a idolatria nas cidades de Santos e Três Corações é sutil, limitada a grupos que têm uma conexão mais próxima com o jogador.

Em contraste, Maradona, na cidade italiana de Nápoles, é visto por seus fãs não apenas como um ídolo, mas como uma divindade. Sua relação com os napolitanos é considerada uma saga mítica no cenário futebolístico mundial, refletindo a união entre uma equipe desacreditada e uma região marginalizada, exaltando o talento do argentino.

Com a chegada de Maradona ao Napoli, um clube que não havia conquistado títulos na primeira divisão, ele se tornou a chave para uma era gloriosa, marcando 115 gols em 259 partidas. Ele é responsável pela conquista de dois Scudettos, uma Copa da Uefa, uma Copa da Itália e uma Supercopa.

O final de sua trajetória em Nápoles, contudo, foi tumultuado. Após um jogo, Maradona testou positivo para cocaína, resultando em uma sanção de 15 meses. Apesar destes eventos, a devoção dos torcedores napolitanos permanece irrepreensível, com ruas adornadas por murais e homenagens que impressionam os visitantes.

Um jornalista que esteve em Nápoles destacou a quantidade de referências a Maradona pela cidade, descrevendo a atmosfera como marcada por uma idolatria que se aproxima do sincretismo religioso. Lojas de artigos religiosos oferecem bandeiras do jogador com uma auréola, assimilando-o a um santo.

Voltando para o Brasil, ele também reconheceu o significativo impacto de Pelé em Santos, embora considerasse que a cidade poderia fazer mais para homenageá-lo. Para ele, Pelé e Santos têm uma conexão especial, mas a cidade ainda precisa desenvolver formas mais concretas de exaltar o legado do rei do futebol.

Um colunista e curador do Museu Pelé admitiu que, apesar do espaço abrigar um acervo valioso relativo ao jogador, existe uma carência de iniciativas que contem sua história de maneira mais ampla. Ele sublinha que Pelé, considerado o “atleta do século”, merece um reconhecimento que vai além da celebração.

Ao comparar as duas lendas, ele ressaltou as distintas abordagens esportivas dos dois atletas. O comprometimento e o profissionalismo de Pelé contrastam com a paixão que Maradona tinha pelo jogo. O amor da torcida argentina por sua seleção é intenso e diferente do sentimento brasileiro, onde – a seu ver – os jogadores não se identificam mais da mesma forma com a camisa.

A idolatria a Pelé no Brasil envolve a visão de um herói perfeito, enquanto a reverência a Maradona na Argentina e em Nápoles se conecta com a imagem de uma estrela falha e autêntica, que nunca escondeu suas origens humildes.

Um antropólogo observou que a disparidade na devoção a Pelé e Maradona se reflete em estigmas criados ao longo do tempo, que o rotulam como “jogador mercenário” ou “traidor da pátria”. No entanto, pelo exterior, Pelé é venerado como uma figura quase divina, especialmente no continente africano.

O mesmo antropólogo assinalou que a identificação desses ídolos na América Latina transcende o aspecto esportivo, envolvendo também questões políticas e raciais. A tatuagem de Che Guevara de Maradona simboliza uma ligação com a esquerda, enquanto Pelé é admirado por laços que se reforçam, por exemplo, no Caribe.

Em outubro, os fãs celebram a vida de Pelé e Maradona. O brasileiro, nascido em 23 de outubro de 1940 e falecido em 29 de dezembro de 2022, continua a ser homenageado. Em Três Corações, foram realizadas celebrações no Museu Pelé, com músicas e exposições.

Em Santos, o museu recebeu uma obra de arte, um retrato composto por cristais Swarovski, e promoveu atividades para valorizar a história da cidade e o legado de Pelé. No dia 30 de outubro, será a vez de argentinos e napolitanos comemorarem o “Dios” Maradona, reafirmando a diferença na idolatria entre esses dois ícones do futebol.

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