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quinta-feira, agosto 27, 2026
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Bessent e Warsh aumentam incerteza sobre taxas de juros e inflação nos EUA.

Na mais recente edição da Euro Radar, a newsletter dedicada à geopolítica e à economia global, sob a edição de João Caminoto, destaca-se a interação entre Kevin Warsh e Scott Bessent, que ocupam posições chave que influenciam a confiança no mercado financeiro mundial, a presidência do Fed e a Secretaria do Tesouro dos EUA, respectivamente. As declarações e ações desses dois indivíduos são essenciais para determinar o custo do capital global, afetando também o Brasil. Apesar de serem amigos e de se encontrarem frequentemente, suas recentes decisões geraram incertezas no mercado.

No dia 19 de agosto, Bessent surpreendeu ao anunciar um aumento significativo nas recompras de títulos de longo prazo, escalando as operações de US$ 2 bilhões para no mínimo US$ 4 bilhões. Essa medida teve como objetivo minimizar a pressão sobre os juros de prazos longos, em um momento em que a dívida federal dos EUA havia ultrapassado US$ 40 trilhões. Contudo, o impacto positivo foi efêmero, pois a queda inicial dos juros de 30 anos rapidamente foi revertida. A possibilidade de mais recompras também foi mencionada por Bessent.

Esse movimento foi criticado por investidores renomados, incluindo Stanley Druckenmiller, que qualificou a ação como um erro, argumentando que o Tesouro deveria evitar intervir diretamente nos preços dos títulos, uma função tradicionalmente do mercado e da política monetária do Fed.

Por sua vez, Warsh, que assumiu a presidência do Fed no dia 22 de maio, prometeu limitar suas declarações e decidiu não fornecer sinais claros sobre a política monetária, método conhecido como forward guidance. Desde então, ele optou por deixar que o mercado respondesse aos dados econômicos em vez de interferir. Em uma coletiva de imprensa em 29 de julho, ele se mostrou evasivo sobre a direção futura das taxas de juros, mesmo com a inflação superando a meta, levando membros do Fomc a votarem pela alta dos juros antes do esperado.

A avaliação de Paul Krugman sobre a abordagem de Warsh foi severa, destacando a confusão e a falta de clareza em sua comunicação sobre a política monetária do Fed.

Atualmente, os juros dos títulos de 30 anos atingiram os níveis mais altos desde 2007, em função de incertezas sobre a trajetória das taxas e preocupações relacionadas à inflação, déficit e à oferta de dívida. O entrelaçamento das decisões de Bessent e Warsh é que realmente preocupa os mercados, dado que o Tesouro tenta abaixar os juros longos enquanto o Fed mantém os juros curtos inalterados, mesmo diante de uma inflação persistente acima da meta, o que pode resultar em uma pressão aumentada para uma eventual alta mais drástica em juros para controlar a inflação.

Além disso, um cenário contínuo de inflação superior a 2%, com o PCE alcançando 3,7% em julho, é observado. O déficit fiscal projetado para 2026 é de 5,8% do PIB, com custos anuais com juros já superando US$ 1 trilhão.

Warsh estará presente em Jackson Hole, encarando o desafio de esclarecer sua posição em um contexto crescente de incertezas na política monetária e as expectativas de alta bem definidas do mercado.

No campo internacional, a situação no Irã é marcada por desdobramentos. A guerra que dura seis meses indicou que os custos econômicos recaem não sobre os EUA, mas sim sobre consumidores pobres e mercados emergentes da Ásia, que suportam o aumento dos preços de energia, enquanto os Estados Unidos, com predominância na produção interna de petróleo e gás, encontram-se em uma posição relativamente confortável.

O impacto da guerra não se restringe apenas aos preços energéticos. Embora a China tenha reduzido suas compras de petróleo, favorecendo uma estabilidade momentânea no mercado global, a questão permanece em aberto, já que a China voltou a aumentar suas importações.

À medida que os países do Golfo buscam diversificar interesses americanos em seus territórios para garantir proteção, busca-se reduzir a dependência exclusiva da presença militar dos EUA.

Por fim, a newsletter também chamou a atenção para os principais eventos a serem monitorados até a próxima quarta-feira. Na Ucrânia, a Rússia intensifica os ataques a áreas civis, enquanto a situação no estreito de Hormuz requer ainda autorização dos EUA para novos acordos com Omã. Além disso, a rentrée na França marca a volta às aulas com um foco na política orçamentária e nas eleições de 2027.

A edição conclui com menção a um novo livro investigativo sobre Vladimir Putin, que traz uma nova perspectiva sobre sua figura, reconhecido pelo impacto nas duas décadas de seu governo.

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