O Espírito Santo possui uma extensão de 77.510 hectares de áreas urbanizadas, conforme um levantamento realizado pelo Mapbiomas. Em contrapartida, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que as edificações correspondem a 50% do consumo total de energia do Brasil.
Diante de um mercado imobiliário em expansão, a sustentabilidade se destaca como um ponto crucial, influenciando tanto o planejamento de novos empreendimentos quanto as escolhas dos consumidores.
Implementar práticas sustentáveis desde a fase de planejamento pode resultar em economia de custos ao longo da vida útil do imóvel, além de melhorar o conforto térmico, favorecer a infiltração de água no solo e criar ambientes urbanos mais agradáveis.
Imóveis que adotam medidas sustentáveis podem ver sua valorização aumentar em até 30%. A eficiência de um imóvel, no entanto, depende de decisões estratégicas tomadas na fase de projeto, como a escolha dos materiais de vedação e cobertura, a disposição da casa no terreno e o planejamento da iluminação e ventilação.
A arquiteta Liliam Araújo enfatiza que quando se busca eficiência energética, o projeto deve ser elaborado para atender a esses critérios desde o início. A certificação de desempenho energético, como a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), é um exemplo de como o planejamento é essencial.
Alterações no projeto durante a construção ou após a conclusão podem ser onerosas, o que reforça a importância de um planejamento cuidadoso. Além disso, imóveis sustentáveis podem envolver um investimento maior em algumas etapas, mas a economia gerada ao longo do tempo pode compensar esses gastos iniciais.
Liliam Araújo também menciona um projeto de residências que implementou um sistema de climatização de alta eficiência, proporcionando um retorno do investimento em apenas 27 meses.
A interação da construção com o terreno, a preservação de áreas verdes e a permeabilidade do solo têm impactos significativos no ambiente ao redor. A infiltração da água da chuva contribui para a recarga dos lençóis freáticos, enquanto a vegetação ajuda a amenizar a temperatura local, proporcionando sombra e favorecendo a fauna.
Em áreas urbanas, esses elementos podem mitigar os efeitos das ilhas de calor, que ocorrem em regiões com alta concentração de superfícies que retêm calor. Além disso, a sustentabilidade envolve aspectos que vão além de equipamentos e materiais: fatores como transporte público acessível, a facilidade para caminhar e a proximidade de ciclovias contribuem para o aumento da sustentabilidade de um empreendimento.
O conceito de biofilia, que promove a integração da natureza nos projetos arquitetônicos, também está em ascensão. A arquiteta Karol Simonassi acredita que este contato deve ser considerado desde a concepção do projeto, não apenas como um elemento estético a ser adicionado ao final da obra.
A presença de vegetação em projetos pode ocorrer em fachadas, áreas de lazer e até em espaços internos, como jardins verticais e canteiros integrados. O impacto positivo desses espaços verdes na qualidade de vida dos moradores é notável, com Simonassi afirmando que ambientes que incorporam natureza proporcionam uma experiência de vida mais satisfatória.
A Vaz, uma desenvolvedora imobiliária, também adota a sustentabilidade como um pilar em seus projetos. A empresa busca criar espaços por meio de soluções inovadoras que não apenas atendem às necessidades habitacionais, mas também incluem iniciativas de preservação e recuperação ambiental e uma relação próxima com as comunidades locais.
Douglas Vaz, presidente da empresa, destaca que a abordagem vai além da instalação de tecnologias sustentáveis, abrangendo também a manutenção de áreas de preservação e ações de recuperação e educação ambiental.
A valorização de imóveis está se transformando, com uma maior apreciação por áreas verdes. No passado, terrenos próximos a áreas verdes eram frequentemente evitados por temores relacionados à fauna silvestre. Hoje, a demanda por empreendimentos que preservam a vegetação é crescente, com a percepção de que áreas verdes adicionam valor significativo às propriedades.
Finalmente, Liliam Araújo ressalta a importância de se enxergar a sustentabilidade sob uma perspectiva de longo prazo. As decisões tomadas na fase de projeto têm implicações que se estendem por décadas, influenciando o consumo de recursos e o bem-estar dos usuários.
Em suma, o panorama atual evidencia que a sustentabilidade está moldando a forma como imóveis são projetados, construídos e escolhidos. O foco vai além da eficiência dos equipamentos; trata-se de desenvolver empreendimentos que respeitem o meio ambiente e melhorem a qualidade de vida nas comunidades urbanas.

