O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, comemorado em 11 de outubro, visa ressaltar que o excesso de peso transcende questões meramente estéticas. No que diz respeito à fertilidade feminina, a relação entre peso corporal e a capacidade de engravidar é direta e amplamente documentada na literatura científica, e compreender essa conexão pode ser essencial para mulheres que enfrentam dificuldades para conceber.
O tecido adiposo desempenha um papel ativo no corpo, produzindo hormônios que impactam o funcionamento do eixo hormonal vinculados ao ciclo menstrual e à ovulação. O aumento do percentual de gordura corporal resulta em um desequilíbrio, que se traduz em elevações nos níveis de insulina e desregulação hormonal, alterando o ambiente nos folículos ovarianos, onde os óvulos são formados.
Um estudo comparativo examinou a qualidade dos óvulos e embriões de mulheres com diferentes índices de massa corporal (IMC). Os achados indicaram que aquelas com sobrepeso e obesidade demonstraram uma diminuição significativa nos níveis de estradiol, uma quantidade reduzida de óvulos coletados e um número inferior de embriões formados, ao passo que mulheres com índice de peso normal gozaram de melhores resultados. Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos e obesidade severa apresentaram uma taxa 29% mais elevada de óvulos imaturos.
Além afetar a qualidade dos óvulos, a obesidade também prejudica a receptividade do endométrio, comprometendo a habilidade do útero em acolher e sustentar um embrião. Um estudo que envolveu mais de 9.500 mulheres receptoras de óvulos de doadoras com peso normal revelou que as taxas de gravidez foram inferiores nas mulheres obesas, sugerindo que a qualidade dos óvulos não era o problema, mas sim as condições no útero.
Para as mulheres que estão com sobrepeso ou obesidade e que buscam realizar fertilização in vitro (FIV), os desafios começam já na fase de estimulação ovariana. Os medicamentos utilizados para essa estimulação têm sua absorção comprometida em razão do tecido adiposo, o que pode demandar doses mais elevadas para garantir uma resposta adequada. Além disso, o monitoramento por imagem pode ser dificultado, e a coleta de óvulos pode se tornar mais complexa.
Esses fatores contribuem para o aumento de custos e para a extensão dos ciclos de tratamento, resultando, muitas vezes, em taxas de sucesso inferiores.
Entretanto, a perda de peso pode alterar de forma positiva esse cenário. Pesquisas indicam que uma redução de apenas 5% a 7% no peso corporal pode restaurar a ovulação natural, aprimorar a resposta à estimulação ovariana e elevar as chances de gravidez. Não é necessário atingir um peso ideal antes de iniciar um tratamento, especialmente em mulheres com mais idade ou baixa reserva ovariana, pois adiar pode trazer mais danos do que benefícios. Cada situação deve ser avaliada individualmente.
O IMC ideal para a concepção situasse entre 20 e 25. Um índice abaixo de 20 pode resultar em distúrbios ovulatórios, pois o tecido adiposo é essencial para a produção hormonal. Tanto o excesso quanto a falta de peso podem afetar a fertilidade de formas relevantes.
Se você está em processo de investigação sobre infertilidade ou planejando um tratamento, é importante discutir com seu médico o impacto do peso na avaliação, considerando essa informação como um instrumento para otimizar as decisões sobre o melhor encaminhamento para o seu caso.

