Quando criança, Vitor Louzada tinha uma maneira peculiar de enfrentar seus castigos: em vez de ficar recluso, acompanhava seu pai ao hospital. Essa experiência, que poderia ser considerada uma penalidade, despertou nele uma profunda curiosidade pela medicina, profissão que seguiria posteriormente, assim como seus familiares.
Atualmente, com 37 anos, Louzada se prepara para integrar a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) como deputado estadual, cargo que conquistou pelo PL nas eleições de 2026. Ele chega ao Legislativo estadual após dois anos de sua primeira vitória como vereador de Colatina, município situado na região Noroeste do Espírito Santo.
Natural de Vitória, Louzada passou boa parte de sua vida na capital capixaba e formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Aos 22 anos, transferiu-se para São Paulo para realizar a residência médica na Universidade de São Paulo (USP). Após aproximadamente cinco anos, retornou ao Espírito Santo, fixando-se em Colatina em 2017, acompanhado por sua esposa, para solidificar sua carreira como radiologista. Louzada relata ter chegado à cidade sem familiares e começou a construir sua trajetória profissional do zero.
Ao longo de sua carreira, atuou em hospitais públicos e privados, clínicas e unidades de saúde, além de desempenhar funções de liderança em serviços médicos. Foi nesse contexto que seu interesse pela política emergiu, motivado pela insatisfação com a atuação de alguns representantes políticos e pelo desejo de contribuir socialmente além do ambiente médico.
Louzada pleiteou um assento na Câmara de Colatina em 2020, embora tenha sido derrotado, e em 2024 elegeu-se vereador pelo PL, iniciando seu mandato em janeiro de 2025. Nesse período, apresentou mais de 130 projetos de lei, além de 1.300 indicações e 150 requerimentos. Como vereador, dedicou uma parte de seu salário a entidades sociais, prática que foi repudiada antes do período eleitoral para evitar questionamentos legais.
Uma de suas propostas na Câmara foi a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para pacientes em tratamento contra o câncer, que resultou na Lei Municipal nº 7.338, sancionada em 15 de agosto de 2025. Essa lei beneficia proprietários de imóveis em tratamento ativo ou com dependentes legais na mesma situação, embora Louzada mencione haver dificuldades para sua implementação pela Prefeitura.
Outra de suas iniciativas foi a tentativa de proibir a “doutrinação de gênero” nas escolas públicas e privadas de Colatina, proposta que, apesar de aprovada pelos vereadores, foi vetada pelo prefeito. Ele também trabalhou em projetos voltados à transparência e à divulgação das filas de exames e consultas no Sistema Único de Saúde (SUS), iniciativa que passou por vetos mas conseguiu ser aprovada.
Em outubro de 2026, ele foi eleito para a Assembleia Legislativa, recebendo mais de 33 mil votos. A decisão de concorrer a um cargo no Legislativo estadual visou ampliar sua atuação política, com ênfase na fiscalização de contratos e obras públicas e na busca de investimentos para os municípios do interior.
Ele destacou sua intenção de manter a atenção voltada para o interior, onde obteve grande parte de sua votação, em especial em Colatina, onde recebeu 22.500 votos. Louzada estabeleceu como prioridade sua atuação em projetos voltados à saúde, ressaltando a descentralização de serviços de tomografia e ressonância magnética fora dos grandes centros urbanos, em um esforço para oferecer melhor assistência à população.
Vitor Louzada é casado com a médica oncologista Carla Loss e juntos têm uma filha, Catarina, quase completando três anos. Com sua nova função, ele reorganizou sua rotina familiar, dividindo seu tempo entre Vitória e Colatina, onde continuará exercendo atividades profissionais. A intenção é passar dois dias na capital e três no interior, buscando igualmente retomar a prática de exercícios, um hábito que ele recomenda a seus pacientes, mas que não tem conseguido manter.
Para o novo mandato, Louzada planeja continuar o monitoramento das ações governamentais e procurar recursos para a região Noroeste, sem deixar de lado as demandas de outras áreas do estado.

