A frase “Não quero chegar a esses espaços sozinha” sintetiza a intenção da advogada Karla Coser, de 36 anos, ao se candidatar à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Eleita deputada estadual em 2026, após dois mandatos como vereadora de Vitória, Karla busca aumentar a participação feminina na política e fortalecer políticas públicas voltadas para as mulheres em todo o Estado.
A defesa das mulheres, especialmente as que se encontram em situações de vulnerabilidade, será a prioridade do seu mandato. Uma de suas propostas iniciais é ampliar uma campanha de combate à violência contra a mulher em eventos esportivos, uma iniciativa já aprovada em Vitória.
A trajetória política de Karla foi influenciada por experiências pessoais e referências familiares. Embora tenha crescido em um ambiente partidário, devido ao seu pai, João Coser, ex-prefeito de Vitória e deputado federal, foi em 2018 que ela decidiu entrar na política.
Formada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Karla começou sua militância no Partido dos Trabalhadores (PT) e no movimento estudantil através do Centro Acadêmico Roberto Lyra Filho. Participou do Conselho Municipal e Estadual de Juventude.
O assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, teve um impacto significativo em sua decisão de concorrer a um cargo eletivo, reforçando a urgência de uma política mais diversa e representativa. Karla expressou que se viu refletida em Marielle, admirando seus debates e temáticas.
Após a morte de Marielle, Karla se preparou para disputar uma vaga na Câmara de Vitória, onde foi eleita em 2020 com apenas 20 votos a mais que o primeiro suplente. Em sua reeleição, quatro anos depois, tornou-se a vereadora mais votada na história do Espírito Santo.
Durante seus mandatos na Câmara, Karla vivenciou episódios de violência política de gênero, o que a convenc eu ainda mais da necessidade de ampliar a presença feminina em cargos de decisão. Ela acredita que a política deve refletir a diversidade da sociedade brasileira e defende que mais mulheres, jovens, pessoas negras e da comunidade LGBTQIA+ precisem ocupar posições eletivas.
Karla quer que as mulheres representem pelo menos a metade das cadeiras nos parlamentos brasileiros, sustentando que a representatividade envolve não apenas a presença, mas também a capacidade de influenciar decisões e políticas públicas.
Na Assembleia, seu compromisso é estender o trabalho realizado em Vitória em uma escala estadual, com ênfase no fortalecimento das políticas voltadas para as mulheres, conectadas a áreas como saúde, educação, habitação, meio ambiente e proteção a pessoas em vulnerabilidade.
Uma de suas prioridades é desenvolver políticas que considerem a realidade de mulheres negras em comunidades periféricas, principalmente mães solteiras que dependem de transporte público e serviços de saúde e educação.
Karla pretende ampliar uma proposta já aprovada em Vitória, relacionada a campanhas de combate à violência contra as mulheres em eventos esportivos, buscando impactar este público estratégico para a prevenção da violência.
Ela enfatiza a importância de conversar com os homens a respeito dos direitos das mulheres, mencionando que muitos deles desconhecem a Lei Maria da Penha e ressaltando que é fundamental incluí-los nas discussões.
A maternidade, na vida pessoal da deputada, trouxe uma nova visão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, especialmente aquelas que conciliam a vida profissional com os cuidados com os filhos. Essa experiência a levou a defender políticas que reconheçam e apoiem as diversas realidades da maternidade.
Karla deseja ser lembrada como a deputada que lutou pelas mulheres do Espírito Santo, reafirmando seu compromisso de criar um mundo onde meninas e mulheres possam viver livres de violência.

