sexta-feira, outubro 16, 2026
IníciocidadesEm 2029, Espírito Santo terá mais idosos do que crianças, aponta pesquisa.

Em 2029, Espírito Santo terá mais idosos do que crianças, aponta pesquisa.

A partir de 2029, o Brasil verá pela primeira vez uma população de idosos superior à de crianças e adolescentes com até 14 anos, conforme aponta as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas estimativas indicam que haverá aproximadamente 40 milhões de idosos em comparação a 39 milhões de crianças e jovens nesta faixa etária. No Espírito Santo, a situação é similar, com uma previsão de 805 mil idosos e cerca de 786 mil crianças até 14 anos.

Rennan Moraes Rodrigues, geógrafo e doutorando da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica que essa mudança demográfica faz parte do fenômeno conhecido como transição demográfica, que já foi observado em outros países durante seus processos de urbanização. Ele aponta que essa realidade está ligada a fatores como a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a redução no número de filhos e os avanços na medicina, que contribuem para o aumento da expectativa de vida. Assim, ao mesmo tempo em que o nascimento de crianças diminui, a longevidade da população aumenta.

Face a esse envelhecimento, Tomas Rodrigues alerta sobre a urgência de adaptação das políticas públicas, especialmente nos âmbitos de saúde, previdência social e infraestrutura urbana. Renata Coutinho, chefe da Seção de Disseminação do IBGE no estado, salienta que dados populacionais são essenciais para que os gestores possam se preparar para essas transformações.

Na área da saúde, Fernanda Esperandio, presidente da Seção Espírito Santo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-ES), enfatiza a necessidade de expandir os serviços especializados e investir na prevenção de doenças entre a população mais velha. Esperandio ressalta a importância de fortalecer a Atenção Primária à Saúde, aumentar a oferta de geriatria e reabilitação, além de formar profissionais capacitados para lidar com essa nova realidade.

O foco, segundo a médica, não deve ser apenas em prolongar a vida, mas em assegurar que os indivíduos envelheçam com saúde, autonomia e dignidade.

A transformação demográfica que se aproxima traz novos desafios. Essa será a primeira vez que o número de idosos se tornará maior que o de crianças e adolescentes, um processo que já foi experienciado por países que passaram por mudanças semelhantes em suas estruturas populacionais.

Os fatores que impulsionam essa mudança incluem a queda da fecundidade, com as mulheres optando por ter menos filhos — a taxa de fecundidade no Espírito Santo caiu de 2,12 filhos por mulher em 2000 para uma previsão de 1,65 em 2026 — e o aumento da expectativa de vida decorrente de melhorias sanitárias e médicas. Além disso, as mudanças sociais, como a urbanização e a participação feminina no mercado de trabalho, também influenciam esse cenário.

Para enfrentar os desafios do envelhecimento da população, será necessário investir no aprimoramento da Atenção Primária à Saúde, expandir os serviços destinados à geriatria e reabilitação, além de adaptar os espaços urbanos para garantir acessibilidade e segurança. A criação de centros de convivência e oportunidades de lazer será essencial para promover saúde e bem-estar, além de preparar profissionais de saúde para atender às necessidades dos idosos e apoiar seus cuidadores e familiares.

Em resumo, o Brasil está se preparando para um novo contexto demográfico que colocará a questão do envelhecimento da sua população em evidência, exigindo uma série de adaptações nas políticas sociais e de saúde para assegurar qualidade de vida aos cidadãos idosos.

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