Um estudo publicado na revista científica Neurology Open Access associa chegar à meia-idade sem três fatores de risco cardiovascular — hipertensão, diabetes e tabagismo — a um aumento da sobrevida livre de demência.
De acordo com a pesquisa, quanto maior o número de fatores de risco entre os participantes, menor foi o tempo médio vivido sem demência. Voluntários sem hipertensão, diabetes ou tabagismo viveram, em média, 30,1 anos sem a doença. Entre aqueles que apresentavam os três fatores, foram 17,5 anos, uma diferença de 12,6 anos.
“Nossos achados indicam que as pessoas precisam agir para evitar esses fatores na meia-idade como uma estratégia para preservar a saúde cerebral por mais de uma década”, afirma Josef Coresh, pesquisador sênior do estudo e diretor fundador do Optimal Aging Institute, da NYU Langone Health, em comunicado.
Como foi feito o estudo
O trabalho analisou 12.409 homens e mulheres integrantes do estudo Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), moradores da Carolina do Norte, Mississippi, Minnesota e Maryland, nos Estados Unidos. Eles tinham uma média de 56 anos no início da pesquisa e foram acompanhados por cerca de 26 anos.
Os voluntários foram divididos em quatro grupos: aqueles que não apresentavam nenhum dos fatores de risco, os que tinham apenas um, os que reuniam dois e aqueles que apresentavam os três.
Foi considerada hipertensão quando a pressão arterial era igual ou superior a 140/90 mmHg ou havia uso de medicamentos para controlá-la. O diabetes foi identificado pelo diagnóstico relatado pelo participante, uso de medicamentos ou hemoglobina glicada (HbA1c) igual ou superior a 6,5%. No caso do tabagismo, os pesquisadores consideraram quem fumava no momento da avaliação.
No período do estudo, 3.008 participantes desenvolveram demência e 5.238 morreram sem apresentar a condição. A identificação dos casos envolveu testes cognitivos, entrevistas com voluntários e familiares e acompanhamento de registros médicos e de óbito.
Diferenças e limitações
A relação entre maior número de fatores e menos anos sem demência foi observada entre homens e mulheres e entre participantes brancos e negros.
As mulheres viveram mais tempo sem demência do que os homens nos quatro grupos, enquanto participantes negros tiveram menos anos sem a doença do que os brancos.
“Embora a associação entre a carga de risco vascular e a sobrevida livre de demência tenha sido consistente entre os grupos, os participantes negros apresentaram uma carga maior de fatores de risco vascular, o que provavelmente contribui para essas disparidades”, afirmam os cientistas no artigo.
O estudo, porém, não comprova que evitar os três fatores fará uma pessoa viver quase 13 anos a mais sem demência. A pesquisa identificou uma associação entre essas condições na meia-idade e o tempo posteriormente vivido sem a doença, mas não estabeleceu uma relação de causa e efeito.
Além disso, os três fatores de risco foram avaliados apenas uma vez. Dessa forma, mudanças ocorridas ao longo dos anos, como uma pessoa deixar de fumar, desenvolver diabetes ou passar a controlar a pressão arterial, não foram incorporadas à análise. Os próprios autores reconhecem que essa característica pode não representar toda a exposição aos fatores de risco ao longo da vida.
Os que os achados reforçam é a necessidade de prevenção vascular precoce para manter a saúde cerebral, em sintonia com pesquisas anteriores e as novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para redução do risco de declínio cognitivo e demência.




