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quinta-feira, setembro 24, 2026
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Europa acusa a Rússia de intensificar a guerra encoberta no continente

O espectro da guerra híbrida, na qual o agressor oculta suas ações para evitar acusações formais, ressurge com força na Europa. Líderes do continente, durante a Assembleia Geral da ONU, e documentos de inteligência indicam uma intensificação do uso dessa estratégia por parte da Rússia.

Edgars Rinkevics, presidente da Letônia, afirmou em discurso em Nova York: “Nem todo ataque à ordem internacional é reconhecido como uma guerra”. Gitanas Naseda, seu colega da Lituânia, acrescentou que “nenhum país está a salvo da ameaça russa”.

No Leste Europeu, Nicosur Dan, presidente da Romênia, declarou que “a Europa é alvo de uma guerra híbrida”. Petr Pavel, presidente da República Tcheca, mencionou incidentes recentes, como a tentativa de ataque com drone armado a aviões da Ucrânia no aeroporto de Leipzig.

Este episódio, que ocorreu no mês passado, foi o mais grave da recente onda de hostilidades. A Alemanha responsabilizou oficialmente a Rússia pelo ataque, que o Kremlin desmentiu, alegando que os europeus estão passando por um período de russofobia devido ao receio de uma possível vitória de Vladimir Putin na Ucrânia.

Em um novo desenvolvimento, a Polônia anunciou que um incêndio em uma base de dados do sistema de satélite privado Starlink, próximo à Ucrânia, foi considerado um ato de sabotagem, com indícios apontando para Moscou.

Os dispositivos da empresa de Elon Musk garantem comunicação para as forças de Volodimir Zelenski. Até o início do ano, os russos também os utilizavam de maneira ilegal nas áreas ocupadas do leste e sul da Ucrânia, até serem excluídos pelo bilionário, que obrigou Moscou a acelerar o desenvolvimento de sua própria constelação de microssatélites.

Os líderes reiteraram discursos já proferidos dias antes por Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia, por Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, e pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Segundo eles, Putin intensifica sua guerra clandestina contra os adversários da Otan para minar o apoio à Ucrânia, onde a invasão russa, iniciada em 2022, avança a um custo elevado e com lentidão.

Ainda nesta quinta-feira (24), serviços de inteligência da Dinamarca publicaram um relatório prevendo que “ataques mais frequentes e com maiores consequências” atingirão países europeus. O relatório menciona ações de sabotagem a infraestruturas críticas, como linhas de trem, com “alto risco” de causar vítimas.

O comandante da Otan, general Alexus Grynkewich, confirmou à Reuters sua concordância com o conteúdo do relatório, adicionando que a aliança está focada na defesa contra drones, especialmente no Leste Europeu.

A avaliação dinamarquesa está alinhada com o que foi discutido por membros do Kremlin no ano anterior: Putin percebe uma janela de oportunidade para confrontar a Europa enquanto Donald Trump ocupa a presidência dos Estados Unidos, e os países europeus avançam rapidamente em seu rearmamento.

Esse contexto se aproxima de 2029, que marcará o término do mandato do republicano, e de 2030, quando nações europeias se dizem preparadas para enfrentar a Rússia. Dessa forma, a guerra híbrida poderia ser vista apenas como uma fase preliminar de um conflito mais extenso.

Contrapõe-se a essa análise o fato de que a condescendência de Trump em relação a Putin pode ter limites, visto que os militares russos acreditam que uma escalada de hostilidades inevitavelmente envolveria forças americanas — apenas na Polônia, há 10 mil soldados dos Estados Unidos, situados em áreas próximas ao tensionado Báltico.

Um analista russo mencionou que essa cautela também era propagada antes da invasão da Ucrânia, considerada um movimento politicamente inviável, e o resultado foi conhecido.

Adicionalmente, existe o risco de uma profecia autorrealizável: conforme o Kremlin continua a acusar os europeus de desejarem a guerra por meio de sua corrida armamentista, isso ocorre apesar de sua justificativa da agressão russa.

Recentemente, durante uma visita a Moscou, o diretor da CIA discutiu o tema central da crescente tensão. Informações recentes indicam que a agência orientou serviços de inteligência na Europa sobre a possibilidade da Rússia realizar ataques a partir de navios comerciais no Mediterrâneo, distantes do cenário habitual no Leste Europeu, com alvos em nações como Espanha, França e Itália.

Caso semelhante ocorreu no ano passado, quando a Suécia interceptou um drone russo que havia partido de um navio comercial no Báltico com o objetivo de espionar o porta-aviões francês Charles de Gaulle.

A apatia de Trump em se envolver com os aliados europeus representa uma influência significativa neste contexto. O general Grynkewich confirmou que as forças americanas na Europa passarão por reduções sob a ordem do presidente, porém o compromisso com a cláusula de defesa mútua da Otan permanece inalterado.

Após lidar com os desafios de sua guerra no Irã, Trump voltou a buscar um diálogo para a paz na Ucrânia, conversando com Zelenski na ONU e estendendo um convite a Putin para a reunião do G20, marcada para Miami, em dezembro. A Rússia ainda não respondeu ao convite.

Na situação da guerra, a violência persiste. O incidente de maior gravidade na última madrugada se deu na região de Kharkiv, no norte da Ucrânia, onde seis pessoas faleceram devido a um bombardeio russo. A cidade de Kiev também foi alvo de mísseis balísticos e drones ao longo da noite.

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