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domingo, setembro 27, 2026
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Ex-refém das Farc se torna biólogo e observa pássaros ao lado de ex-guerrilheiros

O Acordo de Paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que celebrou a assinatura de sua primeira versão há dez anos, foi um marco importante na vida de Diego Calderón-Franco. Ele se recorda do início dos anos 2000, quando era estudante de biologia na Universidade de Antioquia e começou a ter interesse pelas aves.

Em 2004, durante uma expedição científica na Serranía del Perijá, foi sequestrado pela guerrilha e passou 88 dias na custódia dos combatentes. A assinatura do acordo entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro possibilitou que ele se reunisse com alguns de seus sequestradores, desta vez para realizar expedições juntas.

Desde 2016, Franco já realizou aproximadamente dez capacitações de observação de aves com ex-guerrilheiros, transformando essa vivência em palestras. Ele acredita que essa iniciativa oferece uma nova perspectiva sobre o conflito e busca criar desconforto de maneira respeitosa.

Calderón-Franco iniciou seus estudos em biologia em 2000, em um cenário em que a guerra civil na Colômbia apresentava melhorias em algumas regiões rurais, mas uma deterioração acentuada em outras. Ele e seus colegas frequentemente eram parados por grupos armados durante atividades de campo, levando consigo uma carta da universidade que justificava suas pesquisas.

Durante a graduação, planejou uma expedição científica que contava com a presença de botânicos e ictiólogos, já que estava interessado em aves. A região, quase sem exploração desde os anos 1970 devido ao conflito, abrigava uma biodiversidade rica e desconhecida. Em uma viagem inicial, o grupo não encontrou resistência guerrilheira, o que lhes proporcionou certa segurança.

Contudo, na última noite da expedição, foram abordados por homens armados que se identificaram como membros da Frente 41 das Farc. Eles detiveram o grupo para uma investigação, mas após a entrega das cartas universitárias, a situação se complicou. No dia seguinte, eram mais de cem guerrilheiros armados ao redor da casa onde estavam hospedados.

As duas semanas seguintes foram tensas, até que o comandante confirmou que eram realmente estudantes. Com isso, o grupo exigiu um resgate e ele se viu em uma situação desesperadora. Durante os dias de cativeiro, Franco adaptou-se à sua nova realidade, lidando com a experiência de forma estoica, repleta de momentos em que poderia observar a natureza ao redor.

Ele menciona que apesar do medo que muitos poderiam imaginar sentir, os guerrilheiros eram, em grande parte, camponeses que se viam obrigados a participar do conflito por falta de opções. Após dois meses, Franco foi o único que permaneceu em cativeiro, enquanto o botânico e o guia local foram libertados.

Através de uma guerrilheira, recebeu a notícia de que seria liberado. Depois de voltarem ao normal, completou seu curso em 2007 e começou a trabalhar com turismo e observação de aves. Em 2016, pertencia à fase de discussão do Acordo de Paz, que visava integrar a ex-guerrilha à sociedade e trazer oportunidades para regiões antes devastadas pelo conflito.

Participou de expedições envolvendo ex-combatentes, vítimas e observadores internacionais, realizado com 60 pessoas que compartilhavam o mesmo interesse pela pesquisa. Desde então, ele conduziu diversas expedições com ex-guerrilheiros, incluindo reencontros com alguns envolvidos durante seu sequestro.

Um dos ex-sequestradores, Omar, não o reconheceu inicialmente. Embora não tenha pedido desculpas pela experiência traumática, compartilhou uma história com Franco sobre uma professora que educou guerrilheiros analfabetos. Para ele, essa conexão e o entendimento sobre a falta de oportunidades são essenciais para compreender as raízes do conflito armado.

Franco enfatiza que sua participação em expedições tem como impacto a possibilidade de uma troca de experiências: “Fomos seus reféns, e não guardamos rancor”. Ele destaca como a observação de aves ajuda a unir diferentes histórias e pessoas, promovendo um diálogo em um contexto tão delicado.

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