O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, que foi derrotado na corrida presidencial, emitiu uma declaração nesta segunda-feira, 26, aceitando os resultados das eleições nas quais Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi reeleito para mais um mandato de quatro anos.
A missiva é assinada por Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Na nota, o partido diz: “Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser esclarecidos em um debate político equilibrado e democrático. Continuaremos a acompanhar os acontecimentos e buscar respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”.
Após a apuração no domingo, 25, Flávio Bolsonaro se manifestou publicamente, ignorando a vitória de Lula e anunciando a intenção de solicitar a anulação do processo eleitoral. A declaração do PL ressalta que o senador havia vencido o primeiro turno e critica o presidente eleito por ter aumentado os gastos públicos, o que, segundo eles, teria contribuído para sua vitória.
Lula obteve 4.430.191 votos, uma vantagem de 3,58% sobre Flávio, que finalizou a disputa com 48,21%. O atual presidente alcançou 51,79%, uma diferença maior do que na eleição de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos, com 50,90% para o petista contra 49,10% do ex-capitão.
Na segunda-feira, Flávio anunciou que irá solicitar a cassação da chapa de Lula e revelou que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, além de estar proibido de sair do país. Ele mencionou que essa decisão do ministro Alexandre de Moraes se baseou em uma declaração de Eduardo Bolsonaro feita em 23 de outubro, que sugeria que ele deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição. Flávio questionou a legitimidade dessa ação e afirmou: “Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”.
Em um vídeo nas redes sociais, Flávio agradeceu aos cerca de 60 milhões de votos que recebeu, algo que não havia feito anteriormente, e alegou que a eleição não ocorreu de forma normal, levantando dúvidas infundadas sobre a legitimidade do pleito. Ele também fez críticas à prorrogação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a qual sua própria campanha havia solicitado à Justiça Eleitoral.
Flávio afirmou: “Vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula pelos abusos que ocorreram. A lei deve ser aplicada de forma igual para todos. A competição deve ser justa, o que não aconteceu. Eu não perdi, foi o sistema que venceu”.
Em relação à nota do PL, ela destaca que Flávio venceu o primeiro turno das eleições presidenciais com uma margem de 2,2 milhões de votos, mas que no segundo turno o resultado foi adverso, num cenário marcado por ações com forte impacto social e econômico. A mensagem enfatiza que o aumento significativo dos gastos públicos com benefícios sociais antes da votação levanta questões sobre a justiça do processo eleitoral e suas potenciais repercussões econômicas.
O PL também conclui o processo eleitoral com uma bancada histórica, contando com 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores. Essa representação reflete a confiança de milhões de brasileiros nas propostas do partido.
O comunicado reitera o reconhecimento dos resultados das eleições, a necessidade de debate político equilibrado e a continuidade do compromisso do PL em atuar com responsabilidade e independência em defesa da democracia e dos valores que representa. Valdemar Costa Neto assina a nota como presidente nacional do PL.

