Um jogador fez um desabafo sobre seu vício em apostas e criticou a grande quantidade de propagandas relacionadas ao tema, afirmando que isso “gera valor em cima do sofrimento”. O atleta, Michel Henrique, abordou a ludopatia, um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde desde 2018.
Enquanto isso, o Grêmio se tornou o primeiro clube brasileiro a enfrentar um bloqueio na inscrição de atletas imposto pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), responsável pela supervisão do fair-play financeiro no país. Com essa restrição, o clube precisa de autorização da agência para registrar novos jogadores, embora isso não implique um bloqueio total.
A razão por trás dessa medida foi a apresentação, por parte da gestão do Grêmio, de um plano de pagamento coletivo de R$ 16 milhões a credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) após o dia 30 de abril, data em que as novas normas passam a ser consideradas para eventos de insolvência.
A direção do Grêmio acredita que não houve infração nas regras do fair-play financeiro, argumentando que as normas estão sendo seguidas para resolver as dívidas. O clube não planeja realizar novas contratações nessa janela e, portanto, não enxerga um prejuízo prático.
Para além do plano de pagamento, eventos de insolvência que podem impactar o Grêmio incluem recuperações judiciais ou extrajudiciais, além de modificações em um plano já existente, sendo que nenhum desses casos se aplica ao clube neste momento. Para que haja uma sanção, é necessário que tais eventos tenham ocorrido após 30 de abril.
A ANRESF, em comunicado, explicou que o bloqueio de inscrições não representa uma penalização e que não é necessário um julgamento prévio sobre a administração do clube. A medida visa evitar que o Grêmio gaste mais em uma janela de transferências do que o que arrecadou com a venda de atletas.
Além disso, a agência busca assegurar que a folha salarial dos jogadores e da comissão técnica não ultrapasse a média dos seis meses anteriores ao evento de insolvência. O bloqueio preventivo é projetado para garantir que quaisquer novas contratações sejam avaliadas antes da assinatura de compromissos financeiros.
No que tange ao desempenho financeiro do Grêmio, o clube divulgou um faturamento de R$ 167 milhões com vendas durante o exercício de 2026, indicando que esse montante supera o que foi expenditure nas janelas de transferências até o momento. A média salarial, após a liberação de atletas, também estaria em conformidade, segundo a análise do clube.
A autorização para novas contratações pela ANRESF depende de um saldo positivo a partir das receitas de transferências de atletas na janela atual, além da condição de que os gastos com taxas e comissões de novas contratações sejam iguais ou inferiores ao total arrecadado.
Dando continuidade ao processo, o Grêmio também se comprometeu a discutir um acordo de reestruturação com a ANRESF. O clube deve apresentar projeções financeiras para dois anos, bem como medidas concretas para sanear suas finanças e estabelecer um limite de gastos no departamento de futebol.
O acordo definido irá definir um prazo para a manutenção do bloqueio preventivo, além de possíveis metas e limites adicionais. Este prazo de acordo será de 60 dias. Já o plano a ser submetido à CNRD terá um prazo de 90 dias para aprovação, ambos os prazos devem ser cumpridos antes da próxima janela de transferências.
No âmbito das regras de fair-play financeiro no Brasil, os 40 clubes das séries A e B devem apresentar três datas para a declaração de dívidas. A primeira foi registrada em 11 de maio, seguida pela apresentação de débitos até junho em julho, e um próximo relatório deverá incluir dívidas contraídas até outubro.
A ANRESF estipula que os clubes devem resolver dívidas anteriores até 30 de novembro de 2026. O descumprimento pode resultar apenas em advertências. No entanto, dívidas contraídas a partir de janeiro estão sujeitas a sanções, que podem incluir multa, retenção de receitas, proibição de transferências, perda de pontos e até rebaixamento.
O São Paulo também se encontra na iminência de enfrentar um bloqueio similar ao do Grêmio, pois recebeu uma advertência da ANRESF devido a uma notificação do Novorizontino, que reclama uma dívida do clube paulista relacionada à contratação de um jogador em janeiro. O prazo para o pagamento da dívida é no final de setembro e, enquanto o São Paulo alega ter um acordo para renegociação, o Novorizontino contesta essa afirmação.



