O Irã desafiou, nesta segunda-feira (24), a recente ameaça dos Estados Unidos de intensificar a pressão econômica sobre Teerã. O país iraniano alertou que as nações que se juntarem à campanha de Washington poderão enfrentar consequências severas.
No dia anterior, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, escreveu em um artigo no Financial Times que os EUA estão implementando “a maior ofensiva financeira já organizada contra um adversário”, descrevendo a ação como um “Dia D econômico”.
Bessent se prepara para oferecer mais detalhes sobre as novas sanções americanas contra o regime iraniano. Em suas declarações no X, ele afirmou que as medidas foram adotadas após os EUA “desmantelarem as capacidades militares do Irã, destruírem praticamente 100% de suas fábricas militares e enterraram seu programa nuclear”.
Em resposta, o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi refutou essas alegações, chamando-as de “narrativa sem fundamento”. Ele indagou se a necessidade de mobilização de “todas as instituições e poderes” de Washington significava uma vitória ou um reconhecimento da derrota dos Estados Unidos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também fez um alerta a outros países, recomendando que se abstivessem de apoiar a campanha econômica dos EUA. O porta-voz Esmail Baghaei expressou que “advertências suficientes foram feitas”, ressaltando que qualquer cumplicidade com as ações agressivas dos EUA contra o Irã acarretaria consequências.
No domingo (23), Mohsen Rezai, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, avisou que qualquer nação que se alinhasse com a guerra econômica promovida por Washington seria considerada “inimiga”.
Na semana passada, Donald Trump anunciou o aumento da pressão econômica sobre o Irã “em uma escala sem precedentes”, encorajando outros países, incluindo a China, a se unirem aos esforços para isolar ainda mais a economia iraniana.
O Irã tem enfrentado sanções impostas pelos EUA e pela comunidade internacional desde a Revolução Islâmica de 1979.
Nesta segunda-feira, Teerã divulgou que 45 petroleiros foram incluídos em uma lista de embarcações proibidas de atravessar o estreito de Hormuz, por violarem suas normas. A administração iraniana declarou que tomará medidas contra navios que realizarem transferências de cargas para ou a partir dessas embarcações, aumentando as tensões na área marítima.
Os navios mencionados podem enfrentar multas, detenções e apreensões de cargas, de acordo com um comunicado feito pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico no X. Este aviso ocorreu pouco depois de os EUA ameaçarem o Irã com “as sanções mais severas da história”. Teerã, por sua vez, afirmou que qualquer nova ameaça recebida dos EUA resultaria em uma resposta “devastadora”.
A lista de petroleiros inclui superpetroleiros e navios de transporte de gás natural liquefeito, além de embarcações que operam com derivados de petróleo. Entre os navios citados estão embarcações da ADNOC Logistics and Shipping, dos Emirados Árabes Unidos, da Navig8 Tankers, subsidiária da ADNOC, e da Bahri, companhia nacional da Arábia Saudita.
O Irã ainda anunciou que navios envolvidos em transferências de cargas de barco para barco junto aos petroleiros listados poderão ser adicionados a essa relação.
As regras exatas que teriam sido violadas não foram especificadas na publicação. No entanto, em ocasiões anteriores, Teerã já havia mencionado que armadores precisariam de autorização para transitar pelo estreito e que taxas de serviço e segurança deveriam ser pagas.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico orientou os proprietários de carga a verificar uma lista atualizada de embarcações consideradas irregulares e informou que, para que os navios sejam removidos da lista, será necessário apresentar um pedido às autoridades marítimas iranianas.
A reabertura do estreito é prioridade para os EUA, mas Teerã insistiu que ele permanecerá fechado até que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, elimine as sanções sobre o petróleo e descongele os ativos iranianos no exterior.



